Conhecido por aliviar desconfortos intestinais e ajudar na eliminação dos gases, o chá de funcho tem ganhado fama por um motivo um tanto quanto inusitado: a bebida feita da planta teria a capacidade de aumentar a produção do leite materno. Apesar da fama, o funcho (Foeniculum vulgare) é mais conhecido pelo combate às cólicas intestinais e menstruais.
Os boatos sobre o aumento da produção de leite materno em mulheres têm evidências científicas limitadas. Em entrevista ao Correio, Ana Clara Cruz, nutricionista da Clínica Multidisciplinar Hâncora, destaca que revisões sistemáticas mostram que ainda não há comprovação científica do fato.
“Na prática, fatores como pega adequada, frequência das mamadas e esvaziamento das mamas continuam sendo os principais determinantes para uma boa produção láctea.”, explica a nutricionista sobre a amamentação.
Ana Clara alerta ainda para o cuidado no consumo excessivo do chá de funcho. A nutricionista destaca que esse tipo de chá contém compostos ativos como anetol e estragol, que se consumidos em grandes proporções pela mãe, podem ser passados pelo leite materno para o bebê.
Já em gestantes o uso regular em altas quantidades não é recomendado, devido a pequenas propriedades transgênicas, compostos como o estragol podem ser considerados tóxicos quando em doses elevadas. “Existem relatos na literatura de efeitos adversos em bebês, como sonolência excessiva, hipotonia e alterações neurológicas leves", alertou.
Ana Clara destaca também que para fazer um consumo seguro do chá de funcho, é preciso evitar excessos e priorizar “infusões leves”. Além disso, ela destaca também que esse tipo de chá não deve substituir condutas já comprovadas para um manejo adequado da amamentação.
*Estagiário sob supervisão de Ronayre Nunes
Saiba Mais
