Nas profundezas do Oceano Índico, na costa da Austrália, pesquisadores de universidades locais identificaram a presença de uma lula gigante ultrarrara. A lula não foi vista por câmeras, mas detectada via DNA ambiental (eDNA), após deixar "impressões genéticas" na água, permitindo que cientistas saibam que ela está por lá sem precisar capturá-la ou filmá-la.
O estudo, publicado na revista científica Environmental DNA, revelou alguns vestígios genéticos da espécie Architeuthis dux, que pode ultrapassar até 13 metros de comprimento, um tamanho comparado a um ônibus escolar. O molusco também chamou atentão pelos olhos gigantes, com pupilas do tamanho de uma pizza, consideradas a maiores do reino animal.
Em entrevista à revista Oceanographic, a cientista que liderou o estudo, Georgia Nester, afirmou que encontrar evidências da lula gigante “desperta a imaginação das pessoas” devido ao caráter raro e enigmático dessa espécie.
Os cientistas exploraram cânions submarinos a cerca de 4.572 metros de profundidade, próximos à região de Ningaloo, quando detectaram fragmentos de DNA ambiental deixado na água por organismos marinhos através de células, muco e resíduos biológicos.
A tecnologia permitiu mapear a biodiversidade das profundezas sem a necessidade de capturar os animais. Além da lula gigante, a expedição encontrou outros sinais de espécies raras como verme-lula, hidroide-gigante, baleias-bicudas-de-Cuvie, e até organismos que podem ser completamente desconhecidos pela ciência.
Segundo os pesquisadores, a descoberta reforça o quanto os oceanos profundos ainda permanecem inexplorados. Ao todo, o levantamento identificou 226 espécies pertencentes a 126 famílias marinhas diferentes, incluindo mamíferos de mergulho profundo, hidrozoários gigantes e vermes marinhos raríssimos.
Os dados também revelaram que a biodiversidade varia conforme a profundidade dos cânions submarinos. Enquanto áreas mais rasas concentram pequenos crustáceos, as regiões próximas ao fundo abrigam comunidades únicas de peixes e organismos adaptados às condições extremas de pressão e escuridão.
A pesquisa destaca também a importância da conservação marinha, os cânions estudados estão localizados dentro do Parque Marinho de Gascoyne, área ameaçada por atividades humanas como pesca industrial, mudanças climáticas e projetos de exploração de petróleo e gás.
O uso do DNA ambiental representa uma ferramenta essencial para monitorar ecossistemas frágeis antes que sofram impactos irreversíveis. “Existe uma enorme quantidade de biodiversidade em águas profundas que estamos apenas começando a descobrir”, afirmou Georgia Nester.
*Estagiária sob supervisão de Luiz Felipe
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