EUA

Megatsunami no Alasca em 2025 foi 2º maior já registrado na história

A onda gigante, ocasionada por um deslizamento na encosta de uma montanha, chegou a 481 metros

Megatsunami no Alasca em 2025 foi 2º maior já registrado na história -  (crédito: Reprodução/University College London)
Megatsunami no Alasca em 2025 foi 2º maior já registrado na história - (crédito: Reprodução/University College London)

Um estudo divulgado pela revista científica Science nesta quarta-feira, 6, aponta que um megatsunami que aconteceu no fiorde de Tracy Arm, no sudeste do estado do Alasca, nos EUA, em agosto do ano passado, é o segundo maior já registrado. A onda gigante, ocasionada por um deslizamento na encosta de uma montanha, chegou a 481 metros - altura que supera a do arranha-céu Empire State Building, situado em Nova York, que possui 443 metros contando suas antenas.

O tamanho da onda foi estimado pelos pesquisadores com base em dados de satélites e de sismógrafos que medem as vibrações da Terra, modelagem numérica, além do relato de pessoas que testemunharam a passagem do tsunami. Com isso, os cientistas conseguiram reconstruir o que aconteceu.

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"A onda arrancou árvores e plantas ao longo das paredes do fiorde, deixando uma parede rochosa íngreme. Isso permitiu aos pesquisadores inferir que a onda atingiu 481 metros de altura (mais alta que o Empire State Building) no primeiro quilômetro, antes de se dissipar ao longo do fiorde", informa nota da University College London (UCL), que teve um de seus pesquisadores envolvidos no estudo.

Até o momento, o maior tsunami registrado aconteceu em 1958, na Baía de Lituya, também no Alasca, quando a onda chegou a uma altura de 520 metros.

Conforme os pesquisadores, tanto o deslizamento de terra quanto o tsunami foram registrados por sismógrafos do mundo todo. A quantidade de rochas que desabou na água e provocou a onda gigante foi equivalente a 24 Grandes Pirâmides de Gizé, estimou o estudo; e as vibrações no solo geradas pelo impacto da água no fiorde, movendo-se para frente e para trás, duraram 36 horas.

Apesar da força da onda, nenhuma pessoa ficou ferida, e nenhum barco de cruzeiro que tem essa região do Alasca como rota foi atingido. Uma das pessoas ouvidas na pesquisa relatou que presenciou uma onda de dois metros chegando à praia, enquanto um grupo de caiaquistas, que estava acampado mais abaixo no fiorde, relatou ter visto a água passando pela barraca e levando caiaques e equipamentos.

Os cientistas afirmam que o deslizamento da encosta que provocou a formação da onda gigante é, em última análise, resultado das mudanças climáticas. Um dos indícios apontados é o rápido recuo da geleira que sustentava a montanha, deixando a rocha que deslizou sem apoio. A pesquisa aponta que a geleira recuou 500 metros em semanas.

"Normalmente, nessas gigantescas avalanches de rochas, costuma-se ter algum tipo de sinal de alerta nas semanas, meses ou anos anteriores, quando a encosta está se movendo lentamente montanha abaixo. Ela cede e então, catastroficamente, desaba em uma avalanche de rochas. Mas, neste caso, isso não aconteceu", disse Dan Shugar, da Universidade de Calgary, no Canadá, principal autor do estudo.

"Este evento pegou todos de surpresa. A área não havia sido identificada como perigosa", disse o coautor da pesquisa Stephen Hicks, da UCL, que alerta para o fato de que a região do fiorde Tracy Arm costuma ser frequentada por cruzeiros e navios.

"Precisamos reduzir o risco dessas expedições, identificando melhor as áreas de maior risco e investindo em sistemas de alerta que possam nos dar algumas horas ou dias de aviso prévio de um evento potencialmente catastrófico", acrescentou o pesquisador.

Ele explica que pequenos terremotos ocorreram com frequência crescente nos dias e horas que antecederam o deslizamento de terra, sinalizando que a massa de rocha estava começando a rachar. "Muitas estações de monitoramento sísmico fornecem dados em tempo real, o que nos dá algum otimismo de que podemos transformar o que aprendemos em um sistema de alerta", afirma.

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postado em 06/05/2026 21:40
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