A Organização Meteorológica Mundial (OMM) divulgou nesta segunda-feira (18/5) um relatório com dados recentes e alarmantes acerca do aquecimento global. José Marengo, climatologista e principal pesquisador por trás do estudo, ressalta que a situação afeta significativamente a América Latina e o Caribe, isso porque a região está esquentando em um ritmo mais acelerado quando comparada a outras partes do planeta.
O método de pesquisa adotado pela OMM foi analisar os últimos 125 anos em quatro recordes de 30 anos, calculando a velocidade com que a temperatura do planeta aumenta. Os resultados mostraram uma alta de 0,26% por década na América do Sul e de 0,25% no Caribe e na América Central, sendo o período de 1991 a 2025 o que contou com as maiores temperaturas.
Um cenário grave de aquecimento global também vem associado a problemas de saúde pública. Também de acordo com o estudo divulgado, entre 2012 e 2021 aproximadamente 13 mil mortes relacionadas às altas temperaturas foram registradas por ano em cerca de 17 países. A organização ainda faz um alerta para a importância de registrar oficialmente mortes causadas pelo calor.
O cenário de mudanças significativas não é diferente no Brasil, como evidenciado pelas tragédias no Rio Grande do Sul em 2024. Enquanto regiões brasileiras como o Nordeste enfrentam um período maior de estiagem, o Sul segue lidando com chuvas cada vez mais intensas.
Ao redor do mundo, fortes enchentes atingiram países como México, Peru e Equador. A Austrália vem sofrendo com queimadas desde de 2019, no último ano o calor extremo causou um incêndio ambiental que dizimou 12 casas na cidade de Sydney.
O levantamento ainda analisa o derretimento de geleiras, que elevam o nível do mar e consequentemente formam ciclones tropicais rapidamente. Além disso, os oceanos estão com o PH mais ácido, especialmente nos oceanos Atlântico e no Pacífico, enquanto o mar do Caribe enfrenta temperaturas mais elevadas, contribuindo para a morte de dezenas espécies marinhas como corais, peixes e algas.
