O Conselho Federal de Medicina (CFM) emitiu um comunicado na segunda-feira (1/6) afirmando que pretende pedir à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) o banimento do uso do PMMA (polimetilmetacrilato) em todo Brasil. Na última sexta-feira (29/5), o CFM já havia proibido os médicos brasileiros de usarem a substância tanto para fins estéticos quanto reparadores. A medida entrou em vigor a partir desta terça-feira (2/6).
O presidente da organização, José Hiran Gallo, afirmou que o PMMA traz problemas para “milhares de brasileiros”, por isso pretende pedir o banimento do produto. “Essa é uma decisão ética e de extrema segurança para a população”, disse o presidente do CFM no comunicado. A exceção do uso da substância será para o tratamento da lipodistrofia em pacientes com HIV/aids, desde que feito em unidades de alta complexidade do Sistema Único de Saúde.
Segundo a Anvisa, o PMMA só é recomendado em casos de preenchimento estético no rosto e corpo, ou na correção de deformidades em pessoas que estão em pós-tratamento do vírus HIV. O órgão destaca que apenas médicos e dentistas certificados estão autorizados a realizar esse tipo de procedimento.
A motivação mais recente para o CFM tomar tais ações foi a morte da maquiadora Roseli Fernandes de Oliveira Romeiro Vieira, também vítima do uso do PMMA. A mulher de 48 anos morreu na última terça-feira (26/5), ao passar por complicações depois de realizar procedimentos estéticos em uma clínica na cidade de São Paulo.
De acordo com o boletim de ocorrência, Roseli teria feito procedimentos estéticos nos glúteos e na parte posterior das coxas, tendo feito aplicação do PMMA. Em depoimento à Polícia Civil, a filha de Roseli relatou que a mãe começou a passar mal menos de 24 horas depois de realizar os procedimentos com o PMMA, relatando dores, mal-estar, coração acelerado e falta de ar.
A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) também se mostrou a favor da proibição do PMMA. Em nota, a entidade lamentou a morte da maquiadora em decorrência da substância e enfatizou o posicionamento contrário ao uso do PMMA para uso em procedimentos estéticos.
Confira a nota do CFM:
A partir desta terça-feira (02), estará proibido o uso médico de PMMA (polimetilmetacrilato) em todo o Brasil como substância preenchedora, seja com finalidade estética ou reparadora. A única exceção é para o tratamento da lipodistrofia em pacientes com HIV/aids e desde que realizado em unidades de alta complexidade credenciadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e em conformidade com os protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas do Ministério da Saúde. É o que define a Resolução nº 2.461/2026 do Conselho Federal de Medicina (CFM), que será publicada no dia 02 de junho de 2026 no Diário Oficial da União (DOU). A coletiva de imprensa terá a presença do presidente do CFM, José Hiran da Silva Gallo, e da relatora da resolução, a cirurgiã plástica e conselheira federal Graziela Bonin.
*Estagiário sob supervisão de Aline Gouveia
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