SAÚDE

Os benefícios que você não conhece sobre o suco de babosa

Conhecida pelos cuidados com a pele e os cabelos, a planta também vem sendo estudada por possíveis efeitos na saúde digestiva e metabólica

A babosa conquistou espaço há décadas nos cuidados com a pele e os cabelos, mas um novo interesse tem levado a planta para além da área dos cosméticos. Nos últimos anos, pesquisas passaram a investigar seus possíveis efeitos quando consumida em forma de suco, despertando curiosidade entre pessoas que buscam alternativas naturais para complementar a alimentação.

Segundo a nutricionista clínica ortomolecular Fernanda Coimbra, alguns estudos sugerem que a babosa pode contribuir para a saúde por meio da ação antioxidante e de possíveis impactos positivos sobre o sistema digestivo. Há também investigações que avaliam a relação da planta com o controle de alguns marcadores metabólicos, incluindo níveis de glicose no sangue.

Esses efeitos chamam atenção porque ampliam a imagem tradicional da babosa, normalmente associada apenas à estética. A planta contém compostos bioativos que vêm sendo estudados por sua capacidade de participar de processos ligados à inflamação e ao estresse oxidativo, fatores envolvidos em diversas condições de saúde.

Entre os benefícios menos conhecidos está justamente o potencial papel da babosa na saúde intestinal. Alguns estudos observam que determinados compostos presentes na planta podem favorecer o equilíbrio digestivo e contribuir para o funcionamento do organismo. No entanto, os resultados ainda não são considerados suficientes para que a babosa seja vista como um tratamento ou solução definitiva para problemas de saúde.

Fernanda destaca que esse é um dos principais pontos de atenção. “A babosa pode ter seu espaço dentro de uma alimentação equilibrada, mas não deve ser encarada como um produto milagroso nem substituir hábitos saudáveis”, afirma.

Outro aspecto que gera dúvidas entre consumidores é a quantidade ideal para consumo. Atualmente, não existe um consenso científico capaz de determinar uma dose considerada perfeita para todas as pessoas. Isso acontece porque os estudos utilizam concentrações diferentes e porque fatores individuais também influenciam os resultados.

Para a nutricionista, mais importante do que focar em uma quantidade específica é garantir que o produto consumido tenha qualidade e segurança.

A preocupação está relacionada principalmente à presença de uma substância chamada aloína. Ela é encontrada na parte mais próxima da casca da planta e pode provocar efeitos indesejados quando não é removida adequadamente durante o processamento.

Entre os sintomas associados ao consumo inadequado estão cólicas, diarreia, irritação intestinal e desconfortos digestivos. Por esse motivo é recomendado cautela com as receitas artesanais divulgadas na internet e em redes sociais.

O preparo doméstico costuma ser apontado como um dos maiores desafios para quem deseja consumir a planta. Isso porque a remoção completa da aloína exige procedimentos que nem sempre são realizados corretamente fora de ambientes controlados.

Por essa razão, Fernanda Coimbra afirma que não costuma recomendar o preparo caseiro como hábito frequente.

Segundo ela, produtos industrializados de procedência confiável tendem a oferecer mais segurança por passarem por processos de controle de qualidade e padronização capazes de reduzir os riscos relacionados à substância.

Além da segurança, esse controle também ajuda a garantir maior estabilidade dos compostos presentes na planta, preservando características importantes para o consumo.

A dica final da nutricionista é encarar a babosa como parte de um conjunto de hábitos saudáveis e não como protagonista exclusiva dos resultados.

Enquanto novas pesquisas seguem investigando os reais efeitos da planta no organismo, a principal orientação continua sendo a mesma. Informação confiável, consumo consciente e atenção à procedência do produto são os caminhos mais seguros para quem deseja incluir a babosa na rotina.

*Estagiária sob supervisão de Aline Gouveia

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