Dieta

Especialista alerta sobre riscos de dieta milagrosa para crianças

Pediatra ouvida pelo Correio fala sobre os perigos de dietas restritivas sem evidência científica durante o desenvolvimento infantil

Promessas de tratamentos rápidos, naturais e supostamente capazes de resolver problemas complexos de saúde têm encontrado cada vez mais espaço nas redes sociais. Entre elas está a chamada dieta Baby GAPS, que tem sido divulgada por influenciadores e grupos on-line como uma alternativa para tratar condições como autismo, alergias e atrasos no desenvolvimento infantil. Especialistas, porém, alertam para os riscos desse tipo de abordagem.

Segundo a pediatra e educadora parental Marcela Noronha, não existem evidências científicas que comprovem que a dieta seja capaz de tratar ou reverter essas condições. Para ela, o principal problema está na forma como essas promessas costumam alcançar famílias, que já enfrentam momentos de fragilidade emocional.

"Muitos pais procuram alternativas porque querem ajudar os filhos. O risco é quando uma estratégia alimentar passa a ser apresentada como solução para questões complexas sem respaldo científico adequado", explica Marcela, que é autora da obra O livro dos cuidados com o bebê.

A dieta Baby GAPS propõe uma alimentação bastante restritiva, baseada principalmente em caldos de ossos, carnes e gorduras de origem animal. Na prática, isso significa excluir ou limitar alimentos importantes para o desenvolvimento infantil, como frutas, legumes, verduras, cereais e leguminosas.

De acordo com a especialista, esse tipo de restrição pode provocar deficiências nutricionais justamente em uma fase em que o corpo e o cérebro da criança estão em pleno crescimento. Além disso, a alimentação acaba sendo pobre em carboidratos, principal fonte de energia do organismo e fundamental para o desenvolvimento cerebral durante a infância.

Outro ponto que preocupa os profissionais de saúde é a valorização excessiva do caldo de ossos, frequentemente apresentado nas redes sociais como um alimento quase milagroso. Marcela afirma que, apesar de poder fazer parte da alimentação, ele não tem valor nutricional suficiente para substituir refeições completas nem atender às necessidades de um bebê em crescimento.

Alimentação saudável 

Para a pediatra, uma introdução alimentar saudável deve ser baseada na variedade. Isso inclui oferecer alimentos de todos os grupos alimentares, garantindo o consumo adequado de carboidratos, proteínas, gorduras saudáveis, vitaminas, minerais e fibras.

"A introdução alimentar não serve apenas para nutrir. É também uma fase em que a criança conhece diferentes sabores, texturas e constrói uma relação saudável com a comida", afirma.

Diante da enxurrada de conteúdos sobre saúde infantil que circulam na internet, a recomendação é desconfiar de soluções rápidas e resultados garantidos. Segundo Marcela, o desenvolvimento infantil depende de diversos fatores e dificilmente pode ser resumido a uma única intervenção.

"Sempre que uma proposta promete resultados extraordinários, rápidos ou garantidos, vale a pena acender um sinal de alerta", orienta.

A especialista recomenda ainda que pais e responsáveis busquem informações em fontes confiáveis e conversem com profissionais qualificados antes de adotar mudanças radicais na alimentação das crianças. Afinal, quando o assunto é desenvolvimento infantil, evidências científicas continuam sendo mais seguras do que promessas virais.

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