
Durante uma coletiva promovida pela Escola de Saúde Pública Johns Hopkins Bloomberg, nos Estados Unidos, em fevereiro deste ano, pesquisadores alertaram sobre os riscos da "depêndencia" de jovens com o sistemas de inteligência artificial, e destaca que esse fenômeno já é um desafio emergente de saúde pública.
Os chatbots de IA estão se tornando cada vez mais presentes na rotina de adolescentes. Embora possa ampliar o acesso a informações e até oferecer suporte em algumas áreas da saúde mental, pesquisadores afirmam que o uso sem supervisão pode favorecer comportamentos semelhantes aos observados em casos de dependência digital.
Segundo o professor Johannes Thrul, do Departamento de Saúde Mental da universidade, uma das principais preocupações é o apego emocional que alguns usuários desenvolvem com os chatbots. “Estamos começando a ver os primeiros sinais de que algumas pessoas desenvolvem relações problemáticas com esses sistemas”, afirmou o pesquisador durante o evento.
A preocupação surge em um momento em que adolescentes recorrem cada vez mais aos chatsbots para conversar sobre sentimentos, buscar conselhos, aliviar a solidão e até substituir interações sociais presenciais.
O pesquisador alerta que o problema se torna mais grave quando a tecnologia passa a ocupar o espaço das relações humanas. “Somos seres sociais e obtemos inúmeros benefícios do contato humano. Quando a tecnologia começa a substituir essas conexões, podem surgir consequências negativas para a saúde mental”, destacou.
Especialistas também chamam atenção para o fato de que adolescentes são o público mais vulnerável. Nessa fase da vida, o cérebro ainda está em desenvolvimento, principalmente as áreas responsáveis pelo controle emocional, tomada de decisões e regulação de impulsos. Apesar dos alertas, os pesquisadores ressaltam que a inteligência artificial não deve ser encarada apenas como uma ameaça.
Sinais de alerta para pais e responsáveis
Durante a coletiva, os especialistas recomendaram que pais acompanhem de perto a vida digital dos filhos e observem mudanças de comportamento relacionadas ao uso da inteligência artificial.
Entre os sinais de alerta estão:
- Passar horas conversando com chatbots diariamente;
- Preferir interações com IA em vez de amigos e familiares;
- Demonstrar forte apego emocional à ferramenta;
- Apresentar irritação ou ansiedade quando não consegue acessar o chatbot;
- Redução do convívio social presencial;
- Alterações no sono devido ao uso noturno da tecnologia.
Para os pesquisadores, a supervisão deve ocorrer por meio do diálogo e da construção de confiança, evitando abordagens exclusivamente punitivas.
Uma questão de saúde pública
Os especialistas da Hopkins defendem que o avanço da inteligência artificial exige respostas semelhantes as adotadas para outros desafios. O conceito de “equilíbrio digital” tem sido apontado como um dos caminhos para reduzir riscos sem abrir mão dos benefícios da tecnologia.
A proposta envolve incentivar o uso consciente das ferramentas digitais, fortalecer relações presenciais e promover políticas públicas que estimulem o desenvolvimento de plataformas mais seguras.
*Estagiária sob supervisão de Paulo Floro.

Ciência e Saúde
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