Mudanças climáticas

"O pior desde a Segunda Guerra", diz Macron, sobre incêndio florestal

Devorada pelo fogo, parte da Europa está em alerta para uma nova onda de calor que deverá agravar os incêndios florestais. Especialista brasileiro destaca que não adianta agir apenas diante das emergências

Fardos de palha em chamas aparecem enquanto bombeiros combatem um incêndio florestal na região de Cebreros, perto de Ávila — a 80 km a oeste de Madri —, durante a noite de 24 de julho de 2026. Os piores incêndios florestais da história da região de Madri alastram-se a oeste da capital espanhola, forçando as autoridades a evacuar áreas ou a determinar que cerca de 40.000 pessoas permaneçam em casa. (Foto de Cesar MANSO / AFP)       -  (crédito:  AFP)
Fardos de palha em chamas aparecem enquanto bombeiros combatem um incêndio florestal na região de Cebreros, perto de Ávila — a 80 km a oeste de Madri —, durante a noite de 24 de julho de 2026. Os piores incêndios florestais da história da região de Madri alastram-se a oeste da capital espanhola, forçando as autoridades a evacuar áreas ou a determinar que cerca de 40.000 pessoas permaneçam em casa. (Foto de Cesar MANSO / AFP) - (crédito: AFP)

À espera de uma nova onda de calor que deve atingir a França e o sul do continente, autoridades europeias admitem que a situação na região, consumida por incêndios florestais desde meados de julho, deve piorar, em uma crise climática sem precedentes. Na Espanha, na França e em Portugal, mais de 300 mil pessoas foram forçadas a deixar suas casas.

 

No verão escaldante marcado por ondas de calor que afetam toda a Europa, as temperaturas atingem picos de 42ºC, o que aumenta o risco de incêndios. Ao visitar a região de Gironde, o presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que é o pior desastre do tipo “desde a Segunda Guerra Mundial”. Na Espanha, o fogo já consumiu 1.570 km² de florestas nas regiões próximas a Madri, uma área mais do que o dobro do tamanho da cidade. 

“Além da urgência em cortar as emissões de gases de efeito estufa, não podemos mais esperar as emergências para agir”, alerta o brasileiro Carlos Rittl, membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN) e diretor global de Políticas Públicas para Florestas e Mudanças Climáticas da Wildlife Conservation Society. “Precisamos de políticas, estratégias e medidas de adaptação que reduzam a vulnerabilidade das cidades, da população e dos ecossistemas diante de um clima cada vez mais hostil", explica Rittl, que mora na Alemanha, de onde testemunha as anomalias deste verão europeu. 

Brasil 

O especialista lembra que os eventos climáticos extremos têm se tornado mais frequentes, mais intensos e com impactos cada vez mais severos. “Estamos às vésperas de um possível Super El Niño, que pode trazer impactos agudos ao Brasil: secas e risco de queimadas na Amazônia, secas no Nordeste e no Centro-Oeste; ondas de calor e também chuvas intensas no Sudeste e no Sul, com risco de novas enchentes e deslizamentos, como os que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024”, afirma.

Na terça-feira, o secretário executivo da Organização das Nações Unidas para Mudanças Climáticas, Simon Stiell, comentou sobre a onda de calor na Europa e no resto do mundo e mandou um recado aos governantes. “ O que devemos fazer é claro, abandonar o carvão, o petróleo e o gás mais rapidamente”, afirmou, lembrando que a ciência já fez soar todos os alarmes sobre o risco de se continuar a investir em um modelo energético baseado em combustíveis fósseis.

 

 

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postado em 29/07/2026 14:53 / atualizado em 29/07/2026 15:07
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