
À espera de uma nova onda de calor que deve atingir a França e o sul do continente, autoridades europeias admitem que a situação na região, consumida por incêndios florestais desde meados de julho, deve piorar, em uma crise climática sem precedentes. Na Espanha, na França e em Portugal, mais de 300 mil pessoas foram forçadas a deixar suas casas.
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No verão escaldante marcado por ondas de calor que afetam toda a Europa, as temperaturas atingem picos de 42ºC, o que aumenta o risco de incêndios. Ao visitar a região de Gironde, o presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que é o pior desastre do tipo “desde a Segunda Guerra Mundial”. Na Espanha, o fogo já consumiu 1.570 km² de florestas nas regiões próximas a Madri, uma área mais do que o dobro do tamanho da cidade.
“Além da urgência em cortar as emissões de gases de efeito estufa, não podemos mais esperar as emergências para agir”, alerta o brasileiro Carlos Rittl, membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN) e diretor global de Políticas Públicas para Florestas e Mudanças Climáticas da Wildlife Conservation Society. “Precisamos de políticas, estratégias e medidas de adaptação que reduzam a vulnerabilidade das cidades, da população e dos ecossistemas diante de um clima cada vez mais hostil", explica Rittl, que mora na Alemanha, de onde testemunha as anomalias deste verão europeu.
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O especialista lembra que os eventos climáticos extremos têm se tornado mais frequentes, mais intensos e com impactos cada vez mais severos. “Estamos às vésperas de um possível Super El Niño, que pode trazer impactos agudos ao Brasil: secas e risco de queimadas na Amazônia, secas no Nordeste e no Centro-Oeste; ondas de calor e também chuvas intensas no Sudeste e no Sul, com risco de novas enchentes e deslizamentos, como os que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024”, afirma.
Na terça-feira, o secretário executivo da Organização das Nações Unidas para Mudanças Climáticas, Simon Stiell, comentou sobre a onda de calor na Europa e no resto do mundo e mandou um recado aos governantes. “ O que devemos fazer é claro, abandonar o carvão, o petróleo e o gás mais rapidamente”, afirmou, lembrando que a ciência já fez soar todos os alarmes sobre o risco de se continuar a investir em um modelo energético baseado em combustíveis fósseis.
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