Pesquisadores da Faculdade de Engenharia da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, desenvolveram um processo para fabricar vacinas contra a gripe usando levedura de padeiro, um método rápido, barato e seguro. Resultados preliminares de estudos com camundongos sugerem que a abordagem pode promover uma proteção duradoura contra múltiplas cepas do vírus influenza.
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Os resultados da pesquisa foram apresentados na reunião de outono da Sociedade Americana de Química (ACS). "Parece ficção científica, mas estamos muito entusiasmados com o potencial deste sistema de produção de vacinas à base de levedura", disse Fei Wen, professor de engenharia química e orientador da pesquisa.
Apesar de muita pesquisa, uma vacina universal contra a gripe, que ofereça proteção ampla e duradoura contra múltiplas cepas e subtipos, ainda não foi desenvolvida. A maioria dos imunizantes tem como alvo a hemaglutinina (HA), uma proteína da superfície viral que desencadeia uma forte resposta imune. No entanto, a HA sofre mutações rapidamente, o que exige o desenvolvimento de uma nova dose a cada ano.
Pensando em uma solução, Trang Hoang, estudante de pós-graduação da universidade, direcionou seus esforços para uma proteína viral diferente, a M2, essencial para a replicação. "A M2 da influenza é muito menos propensa a mutações do que a HA", explicou a pesquisadora.
Além de focar na proteína M2, Wen e Hoang buscaram desenvolver um sistema mais econômico e rápido para a produção em larga escala da nova vacina, que não exigisse incubação em ovos de galinha. A abordagem utiliza um fermento culinário, Saccharomyces cerevisiae, para produzir partículas semelhantes a vírus (VLPs) que exibem a proteína M2 em sua superfície.
Segundo a publicação, as VLPs imitam o tamanho, a forma e o comportamento do vírus, mas não contêm o material genético que causa a infecção. Segundo os pesquisadores, a inclusão de altas concentrações de M2 nas VLPs poderia aumentar a capacidade da proteína viral de desencadear uma resposta imune.
Edição dos genomas
Os cientistas transformaram as leveduras comuns em fábricas de VLPs, editando o genoma para produzir grandes quantidades da proteína M2 da influenza. Após incubar o fermento em um líquido rico em nutrientes, a equipe a tratou com reagentes suaves para remover delicadamente a parede celular rígida da estrutura, uma etapa essencial para permitir que as VLPs brotassem. Em seguida, separaram e purificaram as VLPs de M2.
Depois, a equipe vacinou 18 camundongos com as VLPs M2 purificadas para testar se elas poderiam estimular uma forte resposta imune. Ao analisar o soro sanguíneo coletado dos animais, notaram que eles produziram muitos anticorpos contra M2 de cinco cepas de influenza. Depois os ratos foram expostos a três das diferentes cepas de influenza, e os cientistas viram, então, observando 100% de proteção contra a infecção.
A equipe licenciou a tecnologia para uma empresa que desenvolve sistemas de levedura para produzir vacinas orais. Wen especula que, um dia, cepas de levedura geneticamente modificadas poderão ser "cultivadas" como vacinas orais contra a gripe e outras doenças.
