
As árvores têm um papel fundamental na absorção e regeneração do ar. Elas absorvem gás carbônico (CO2) e liberam oxigênio (O2). No entanto, um estudo realizado pela Universidade de Exeter e pela Universidade de James Cook mostra que a poluição liberada pelas queimadas reduz significativamente a capacidade de absorção do CO2 das plantas.
A pesquisa, publicada na quarta-feira (07/10) na revista Communications Earth & Environment, aponta que as queimadas afetam duplamente o clima com a liberação de gases poluentes na atmosfera e reduzindo em cerca de 24% (pode variar de 18 a 35%) a capacidade das florestas remanescentes de capturar e armazenar o CO2 liberado. Florestas remanescentes são a vegetação nativa que sobrevive após a devastação ou fragmentação causada pela atividade humana.
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Esse “bloqueio” na respiração das plantas é causado pela concentração de ozônio (O3) no nível do solo. Ele entra nas folhas e causa um dano celular que dificulta a fixação do CO2 nas plantas. Por consequência, isso atrapalha a realização da fotossíntese, acelera o envelhecimento e a queda precoce das folhas. É um efeito parecido com o que é causado pelo mesmo gás no sistema respiratório humano, onde as moléculas entram no pulmão e causam redução na capacidade pulmonar.
A autora principal do estudo, Dra. Flossie Brown, da ETH Zurich, explica que “os incêndios florestais não liberam apenas CO2 quando queimam. Elas também contribuem para o aumento do ozono ao nível do solo, um poluente que danifica as folhas das árvores sobreviventes e reduz a sua capacidade de continuar a absorver carbono posteriormente".
Ela complementa que esse efeito ainda não era considerado no orçamento de carbono. "Descobrimos que esse efeito oculto equivale a cerca de um quarto do carbono liberado pelos próprios incêndios – uma perda significativa para o orçamento de carbono da Amazônia que não havia sido considerada anteriormente", afirma a pesquisadora.
Para realizar a descoberta, os pesquisadores observaram os danos causados pelo ozônio entre 1997 a 2024, com a atividade de incêndios e secas na Amazônia. O estudo relata que os maiores danos estão na região do “Arco do Desmatamento”, áreas agrícolas que se expandem dentro da floresta tropical.
O professor Stephen Sitch, da Universidade de Exeter, diz que o O3 gerado pelos incêndios pode ser evitado pela diminuição do desmatamento. "Isso significa que os danos adicionais causados pelo ozônio que estamos descrevendo são em grande parte evitáveis. Reduzir o desmatamento e a degradação florestal diminuiria as emissões diretas de incêndios, mas nosso estudo mostra que também protegeria a Amazônia dessa fonte secundária e invisível de perda de carbono", disse o professor.
Segundo o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), o único motivo das queimadas na Amazônia são por seres humanos. O instituto explica que a Amazônia é uma floresta úmida, onde os casos de incêndios são raríssimos, mesmo nas estações de secas.
Estagiário sob supervisão de Aline Gouveia*
Ciência e Saúde
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