Mulheres com doenças autoimunes têm uma probabilidade significativamente maior de ter sua enfermidade diagnosticada erroneamente como uma condição psiquiátrica ou psicossomática, comparado aos homens. O alerta é de um estudo com mais de 6,6 mil pacientes, publicado na revista eClinicalMedicine, do grupo The Lancet. A demora na identificação do problema de saúde implica no adiamento do tratamento adequado, disseram os autores, da Universidade de Cambridge e da Universidade de East Anglia, no Reino Unido.
O estudo revelou que 43% das mulheres relataram que seus sintomas autoimunes haviam sido erroneamente atribuídos a uma causa psiquiátrica, em comparação com 33% dos homens. Enfermidades desse grupo ocorrem quando o sistema imunológico ataca erroneamente os próprios tecidos do corpo. Elas incluem condições como artrite reumatoide, lúpus e esclerose múltipla. A maioria é mais incidente no sexo feminino.
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"As diferenças entre os sexos em relação aos diagnósticos errôneos para pessoas com doenças autoimunes são gritantes", observa Shaista Tayabali, coautora do estudo. "O fato de as mulheres relatarem taxas mais altas de diagnósticos errôneos psiquiátricos e psicossomáticos do que os homens, mas relatarem menos diagnósticos errôneos para outras doenças físicas, sugere que os preconceitos históricos de gênero continuam sendo um aspecto desafiador da jornada diagnóstica."
Consultas
Os pesquisadores também descobriram que as mulheres relataram períodos mais longos entre o início dos sintomas e o recebimento do diagnóstico, bem como mais consultas médicas. Entre os homens, o tempo médio de identificação da enfermidade foi inferior a três meses, enquanto entre as pacientes do sexo feminino foi de um a dois anos.
"Pacientes com doenças autoimunes podem apresentar sintomas que, inicialmente, parecem difíceis de explicar, e às vezes levam-se meses ou anos até que um diagnóstico fique claro", diz Melanie Sloan, do Departamento de Saúde Pública e Cuidados Primários da Universidade de Cambridge. "Nossos resultados destacam que explicações psicológicas ou de saúde mental podem ser dadas prematuramente. Isso vale para ambos os sexos, mas nosso estudo sugere que as mulheres podem ser particularmente vulneráveis a esse tipo de diagnóstico incorreto."
O professor David D'Cruz, reumatologista consultor do Guy's Hospital e coautor do estudo, reforça que não se trata de dizer que um diagnóstico psiquiátrico nunca está correto. "As pessoas podem ter tanto doenças autoimunes quanto psiquiátricas, e está cada vez mais claro que os sintomas psiquiátricos podem fazer parte de uma doença autoimune", diz. "A mensagem importante é que, quando os sintomas persistem, evoluem ou envolvem múltiplos sistemas, os médicos devem ter a mente aberta e considerar se existe uma doença autoimune subjacente que ainda não foi reconhecida — e ouvir os pacientes".
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