Visão do Direito

A relevância econômica do setor de combustíveis no Brasil

"Os combustíveis líquidos e os biocombustíveis representam cerca de 45% da matriz energética nacional e são indispensáveis ao transporte, atividade responsável por 65% das cargas e 95% dos passageiros movimentados no Brasil"

Grande parte do funcionamento da economia brasileira depende de uma engrenagem que raramente ganha destaque fora dos debates sobre preços: a cadeia de distribuição de combustíveis e lubrificantes. Um estudo recente da LCA Consultoria Econômica, elaborado para o Sindicom, mostra que esse setor vai muito além do abastecimento dos postos revendedores e exerce um papel estruturante para o desenvolvimento econômico, a arrecadação pública e a segurança energética do país.

Os combustíveis líquidos e os biocombustíveis representam cerca de 45% da matriz energética nacional e são indispensáveis ao transporte, atividade responsável por 65% das cargas e 95% dos passageiros movimentados no Brasil. Garantir esse abastecimento em um país de dimensões continentais exige uma complexa estrutura logística: 189 distribuidoras, 327 bases de distribuição e aproximadamente 45 mil postos, espalhados por praticamente todos os municípios brasileiros. Apenas em 2024, essa operação movimentou cerca de 135 bilhões de litros de combustíveis, transportados em um volume de viagens equivalente a 90 voltas completas na Terra por dia.

A relevância econômica do setor também se expressa nos números fiscais. Em 2024, a cadeia de combustíveis teve potencial de gerar R$ 210 bilhões em tributos, sendo responsável por aproximadamente 25% de todo o ICMS arrecadado pelos estados. Trata-se de uma fonte fundamental de financiamento das políticas públicas estaduais, muitas vezes subestimada no debate público.

No mercado de trabalho, o setor é igualmente significativo. O comércio de combustíveis emprega 425 mil trabalhadores formais, enquanto o segmento de lubrificantes responde por outros 22 mil postos, gerando, em conjunto, R$ 16 bilhões em massa salarial. São empregos distribuídos em todo o território nacional, com impacto direto na renda das famílias e na economia local.

Outro aspecto frequentemente ignorado é o risco econômico associado a eventuais interrupções no abastecimento. Estimativas citadas no estudo indicam que uma paralisação de apenas nove dias poderia provocar perdas entre 0,5% e 0,7% do PIB, o equivalente a cerca de R$ 9,1 bilhões por dia. Esses dados evidenciam o caráter essencial do setor e a necessidade de políticas públicas que garantam previsibilidade regulatória e segurança operacional.

Ao mesmo tempo, a distribuição de combustíveis tem avançado de forma concreta na transição energética. Em 2024, empresas da cadeia de petróleo investiram R$ 4,2 bilhões em pesquisa, desenvolvimento e inovação, incluindo projetos de modernização logística e soluções de menor intensidade de carbono, como o etanol de segunda geração (E2G) e o diesel R5. No mercado de lubrificantes, o Brasil é referência internacional em economia circular, com a coleta de cerca de 600 milhões de litros de óleos lubrificantes usados (OLUC) realizada em mais de 4 mil municípios. Esse volume abastece um sistema de rerrefino altamente eficiente, ainda que composto por poucas usinas geograficamente concentradas, responsável por cerca de 20% da oferta nacional de óleos básicos.

Esses números mostram que o setor de combustíveis e lubrificantes não é apenas um elo operacional da economia, mas um pilar estratégico do desenvolvimento brasileiro. Para que esse elo funcione de maneira eficiente, com racionalidade logística e redução de custos, é fundamental contar com um setor consolidado, organizado e robusto. A tentativa de resolver desafios logísticos complexos sem o apoio de uma estrutura setorial forte seria altamente ineficiente, gerando custos adicionais e prejuízos para toda a cadeia produtiva. Reconhecer a importância desse setor é essencial para qualificar o debate público e construir soluções que conciliem segurança energética, sustentabilidade, competitividade e crescimento econômico. -  (crédito: Divulgação)
Grande parte do funcionamento da economia brasileira depende de uma engrenagem que raramente ganha destaque fora dos debates sobre preços: a cadeia de distribuição de combustíveis e lubrificantes. Um estudo recente da LCA Consultoria Econômica, elaborado para o Sindicom, mostra que esse setor vai muito além do abastecimento dos postos revendedores e exerce um papel estruturante para o desenvolvimento econômico, a arrecadação pública e a segurança energética do país. Os combustíveis líquidos e os biocombustíveis representam cerca de 45% da matriz energética nacional e são indispensáveis ao transporte, atividade responsável por 65% das cargas e 95% dos passageiros movimentados no Brasil. Garantir esse abastecimento em um país de dimensões continentais exige uma complexa estrutura logística: 189 distribuidoras, 327 bases de distribuição e aproximadamente 45 mil postos, espalhados por praticamente todos os municípios brasileiros. Apenas em 2024, essa operação movimentou cerca de 135 bilhões de litros de combustíveis, transportados em um volume de viagens equivalente a 90 voltas completas na Terra por dia. A relevância econômica do setor também se expressa nos números fiscais. Em 2024, a cadeia de combustíveis teve potencial de gerar R$ 210 bilhões em tributos, sendo responsável por aproximadamente 25% de todo o ICMS arrecadado pelos estados. Trata-se de uma fonte fundamental de financiamento das políticas públicas estaduais, muitas vezes subestimada no debate público. No mercado de trabalho, o setor é igualmente significativo. O comércio de combustíveis emprega 425 mil trabalhadores formais, enquanto o segmento de lubrificantes responde por outros 22 mil postos, gerando, em conjunto, R$ 16 bilhões em massa salarial. São empregos distribuídos em todo o território nacional, com impacto direto na renda das famílias e na economia local. Outro aspecto frequentemente ignorado é o risco econômico associado a eventuais interrupções no abastecimento. Estimativas citadas no estudo indicam que uma paralisação de apenas nove dias poderia provocar perdas entre 0,5% e 0,7% do PIB, o equivalente a cerca de R$ 9,1 bilhões por dia. Esses dados evidenciam o caráter essencial do setor e a necessidade de políticas públicas que garantam previsibilidade regulatória e segurança operacional. Ao mesmo tempo, a distribuição de combustíveis tem avançado de forma concreta na transição energética. Em 2024, empresas da cadeia de petróleo investiram R$ 4,2 bilhões em pesquisa, desenvolvimento e inovação, incluindo projetos de modernização logística e soluções de menor intensidade de carbono, como o etanol de segunda geração (E2G) e o diesel R5. No mercado de lubrificantes, o Brasil é referência internacional em economia circular, com a coleta de cerca de 600 milhões de litros de óleos lubrificantes usados (OLUC) realizada em mais de 4 mil municípios. Esse volume abastece um sistema de rerrefino altamente eficiente, ainda que composto por poucas usinas geograficamente concentradas, responsável por cerca de 20% da oferta nacional de óleos básicos. Esses números mostram que o setor de combustíveis e lubrificantes não é apenas um elo operacional da economia, mas um pilar estratégico do desenvolvimento brasileiro. Para que esse elo funcione de maneira eficiente, com racionalidade logística e redução de custos, é fundamental contar com um setor consolidado, organizado e robusto. A tentativa de resolver desafios logísticos complexos sem o apoio de uma estrutura setorial forte seria altamente ineficiente, gerando custos adicionais e prejuízos para toda a cadeia produtiva. Reconhecer a importância desse setor é essencial para qualificar o debate público e construir soluções que conciliem segurança energética, sustentabilidade, competitividade e crescimento econômico. - (crédito: Divulgação)

Por Gustavo Madi Rezende* — Grande parte do funcionamento da economia brasileira depende de uma engrenagem que raramente ganha destaque fora dos debates sobre preços: a cadeia de distribuição de combustíveis e lubrificantes. Um estudo recente da LCA Consultoria Econômica, elaborado para o Sindicom, mostra que esse setor vai muito além do abastecimento dos postos revendedores e exerce um papel estruturante para o desenvolvimento econômico, a arrecadação pública e a segurança energética do país.

Os combustíveis líquidos e os biocombustíveis representam cerca de 45% da matriz energética nacional e são indispensáveis ao transporte, atividade responsável por 65% das cargas e 95% dos passageiros movimentados no Brasil. Garantir esse abastecimento em um país de dimensões continentais exige uma complexa estrutura logística: 189 distribuidoras, 327 bases de distribuição e aproximadamente 45 mil postos, espalhados por praticamente todos os municípios brasileiros. Apenas em 2024, essa operação movimentou cerca de 135 bilhões de litros de combustíveis, transportados em um volume de viagens equivalente a 90 voltas completas na Terra por dia.

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A relevância econômica do setor também se expressa nos números fiscais. Em 2024, a cadeia de combustíveis teve potencial de gerar R$ 210 bilhões em tributos, sendo responsável por aproximadamente 25% de todo o ICMS arrecadado pelos estados. Trata-se de uma fonte fundamental de financiamento das políticas públicas estaduais, muitas vezes subestimada no debate público.

No mercado de trabalho, o setor é igualmente significativo. O comércio de combustíveis emprega 425 mil trabalhadores formais, enquanto o segmento de lubrificantes responde por outros 22 mil postos, gerando, em conjunto, R$ 16 bilhões em massa salarial. São empregos distribuídos em todo o território nacional, com impacto direto na renda das famílias e na economia local.

Outro aspecto frequentemente ignorado é o risco econômico associado a eventuais interrupções no abastecimento. Estimativas citadas no estudo indicam que uma paralisação de apenas nove dias poderia provocar perdas entre 0,5% e 0,7% do PIB, o equivalente a cerca de R$ 9,1 bilhões por dia. Esses dados evidenciam o caráter essencial do setor e a necessidade de políticas públicas que garantam previsibilidade regulatória e segurança operacional.

Ao mesmo tempo, a distribuição de combustíveis tem avançado de forma concreta na transição energética. Em 2024, empresas da cadeia de petróleo investiram R$ 4,2 bilhões em pesquisa, desenvolvimento e inovação, incluindo projetos de modernização logística e soluções de menor intensidade de carbono, como o etanol de segunda geração (E2G) e o diesel R5. No mercado de lubrificantes, o Brasil é referência internacional em economia circular, com a coleta de cerca de 600 milhões de litros de óleos lubrificantes usados (OLUC) realizada em mais de 4 mil municípios. Esse volume abastece um sistema de rerrefino altamente eficiente, ainda que composto por poucas usinas geograficamente concentradas, responsável por cerca de 20% da oferta nacional de óleos básicos.

Esses números mostram que o setor de combustíveis e lubrificantes não é apenas um elo operacional da economia, mas um pilar estratégico do desenvolvimento brasileiro. Para que esse elo funcione de maneira eficiente, com racionalidade logística e redução de custos, é fundamental contar com um setor consolidado, organizado e robusto. A tentativa de resolver desafios logísticos complexos sem o apoio de uma estrutura setorial forte seria altamente ineficiente, gerando custos adicionais e prejuízos para toda a cadeia produtiva. Reconhecer a importância desse setor é essencial para qualificar o debate público e construir soluções que conciliem segurança energética, sustentabilidade, competitividade e crescimento econômico.

Diretor da LCA Consultoria Econômica e mestre em economia*

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Por Opinião
postado em 12/03/2026 04:00
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