Literatura

Confira sete livros que falam da cultura e das personalidades negras

Entre as obras, a HQ 'Miss Davis' sobre a ativista Angela Davis, a autobiografia 'Memórias de um negro americano' e o infantil 'Sona -- Contos africanos desenhados na areia'

Adriana Izel
postado em 20/11/2020 12:58 / atualizado em 20/11/2020 12:58
 (crédito: Editora Agir/Divulgação)
(crédito: Editora Agir/Divulgação)

Durante muito tempo, a história do povo negro foi silenciada. Sem lugar de fala na sociedade, os pretos viram sua cultura e suas vozes sendo deixadas de lado. Com a luta do movimento negro, esses espaços foram e continuam sendo galgados. Com o objetivo de dar visibilidade a essas histórias, o Correio selecionou publicações literárias que falam sobre o povo negro. Confira!

Miss Davis: A vida e as lutas de Angela Davis

A ativista Angela Davis é um dos nomes mais conhecidos na luta pelos direitos civis nos Estados Unidos. A norte-americana integrou o movimento Pantera Negra e chegou a ser candidata à vice-presidência dos EUA. A trajetória da professora é o ponto de partida da HQ Miss Davis: A vida e as lutas de Angela Davis, escrita por Sybille Titeux de La Croix com ilustrações de Amazing Ameziane. A tradução para o português é de Jorge Bastos Cruz. Na obra, a história de Davis parte da perspectiva de uma amiga que vivia na mesma rua. Para depois, ser contada a partir da narrativa da própria Angela. (Editora Agir, 196 páginas; R$ 59,90).

Memórias de um negro americano

A Editora Nova Fronteira relança a obra Memórias de um negro americano, de Booker T. Washington pela coleção Clássicos de Ouro. O livro é uma autobiografia do educador, palestrante e conselheiro de presidentes. Nascido escravizado, Washington teve uma jornada de luta e resistência para se tornar num dos principais porta-vozes da comunidade negra nos Estados Unidos. Na obra, relatos da infância no estado da Virgínia, da Guerra Civil e da esperança de liberdade até o início nos estudos no Hampton Institute, escola normal e agrícola para afro-americanos, que mudaram a vida dele. A nova edição tem prefácio do cantor, compositor e escritor Nei Lopes. Tradução de Graciliano Ramos. (Editora Nova Fronteira, 144 páginas; R$ 39,90).

Capas dos livros 'Memórias de um negro americano' e 'Eu e a supremacia branca'
Capas dos livros 'Memórias de um negro americano' e 'Eu e a supremacia branca' (foto: Editora Nova Fronteira e Editora Rocco/Divulgação)

 

Eu e a supremacia branca

Sucesso nos Estados Unidos, o best-seller foi escrito pela ativista Layla Saad, uma mulher negra, muçulmana e filha de pais nascidos na África Oriental. A obra nasceu de um desafio no Instagram e conduz o leitor numa jornada de 28 dias, com sugestões de exercícios e dicas para entender e confrontar o racismo. Ela se aprofunda em contextos histórias e culturais, debatendo privilégio branco, estereótipos raciais e apropriação cultural. A versão em português teve revisão técnica de Winnie Bueno, ativista de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, e tradução de Petê Rissatti. (Editora Rocco, 240 páginas; R$ 49,90).

Capa dos livros 'Para colorir o futuro', 'A jornada de Pablo', 'Sona' e 'Kianda'
Capa dos livros 'Para colorir o futuro', 'A jornada de Pablo', 'Sona' e 'Kianda' (foto: Editora Lyra das Artes, Pallas Mini, Editora do Brasil/Divulgação e Arquivo pessoal)

 

Para colorir o futuro

Mãe e filho, Masé Sant'Anna e João Pedro Sant'Anna de Lima, se uniram na obra Para colorir o futuro. A ideia de concepção do livro surgiu quando a dupla notou que, mesmo com o lançamento da diferentes tonalidades de lápis cor de pele, não há no mercado brasileiro livros para colorir que contenham crianças negras com as características mais marcantes: cabelos crespos, narizes largos e lábios grossos. Assim, resolveram fazer uma obra inclusiva. Com 42 ilustrações organizadas em ordem alfabética, apresentam diferentes representatividades negras em profissões distintas, do professor ao advogado. (Independente; R$ 30 + taxa de entrega. Pedidos pelo e-mail paracolorirofuturo@gmail.com).

A jornada de Pablo

A narrativa acompanha Pablo, um menino de 12 anos, que ajuda Exu a libertar o axé dos outros orixás, que não conseguem se lembrar das suas forças. A aventura começa quando ao visitar o museu criado pelo Sr. Picot com o seu tio avô, Pablo descobre uma misteriosa fenda, que o leva para as profundezas dos rolos fotográficos do velho francês. Ele é guiado por Exu, aqui representado por um menino travesso e muito esperto, que explica a Pablo todas as diferenças e curiosidades da cosmogonia iorubá. O livro infantojuvenil é o primeiro de Rafael Gonzaga. (Editora Lyra das Artes, 128 páginas; R$ 39,90).

Sona -- Contos africanos desenhados na areia

O autor e pesquisador Rogério Andrade Barbosa traz para as páginas de Sona uma cultura milenar, Lusona, um conhecimento ancestral transmitido pelo povo Tchokwe que conta histórias a partir de desenhos complexos na área. Na obra, o leitor aprenderá mais sobre os desenhos e também a maneira como podem utilizar a técnica para contar experiências, unindo arte abstrata e matemática. As ilustrações são de Thais Linhares. (Editora do Brasil, 32 páginas; R$ 54,30).

Kianda: A sereia de Angola que veio visitar o Brasil

De Raul Lody, a obra retrata ahistória de Kianda, uma sereia de Angola, que resolve atravessar o Oceano Atlântico para conhecer Iara, a sereia brasileira. Nessa jornada, ela encontra entidades africanas das águas, como Olokun e Iemanjá, se encanta pela beleza do oceano até que finalmente se reúne com a amiga, que lhe ensina sobre a importância do Rio Amazonas para o Brasil. (Pallas Mini, 28 páginas; R$ 43).

  • Capas dos livros 'Memórias de um negro americano' e 'Eu e a supremacia branca'
    Capas dos livros 'Memórias de um negro americano' e 'Eu e a supremacia branca' Foto: Editora Nova Fronteira e Editora Rocco/Divulgação
  • Capa dos livros 'Para colorir o futuro', 'A jornada de Pablo', 'Sona' e 'Kianda'
    Capa dos livros 'Para colorir o futuro', 'A jornada de Pablo', 'Sona' e 'Kianda' Foto: Editora Lyra das Artes, Pallas Mini, Editora do Brasil/Divulgação e Arquivo pessoal
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