Música

Cantores lançam músicas temáticas no Dia da Consciência Negra

Por meio da música, artistas nacionais buscam refletir e protestar contra o racismo, além de enaltecer à cultura preta

Correio Braziliense
postado em 20/11/2020 17:16 / atualizado em 20/11/2020 17:16
 (crédito: Universal/ Divulgação -Salvador produções/ Divulgação - 999/ Divulgação - Wendy Andrade/ Divulgação  )
(crédito: Universal/ Divulgação -Salvador produções/ Divulgação - 999/ Divulgação - Wendy Andrade/ Divulgação  )

Cantores nacionais colocaram mais uma vez a música como forma de expressão ao lançar trabalhos que marcam o Dia da Consciência Negra. A data, nesta sexta-feira (20/11 em lembrança à morte de Zumbi dos Palmares, propõe uma reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira. Na música, o dia foi marcado por lançamentos acerca da temática. Confira!

Baco Exu do Blues

Baco Exu do Blues apresenta mais uma crítica social por meio rap. O rapper lançou a faixa Tommie Smith, em referência ao ex-velocista e jogador de futebol norte-americano que marcou a história quando subiu no pódio dos Jogos Olímpicos de Verão de 1968 e ergueu o punho fechado com luvas pretas em saudação ao movimento Black Power. 

A canção relembra o episódio pelo trecho: "Tommie Smith em 68/ lembra do meu povo/ estando no pódio/ levantando o punho/ tendo sonhos sóbrios". Além de exaltar o esportista, a faixa critica os assassinatos de jovens negros em decorrência do racismo.

Tommie Smith faz parte do projeto Bandele - palavra usada na Nigéria para falar de “nascidos longe de casa”, lançado pelo selo 999, do Baco com outros cinco artistas negros. 

Ravih

Ravih uniu o afrobeat e a resiliência negra em Lanterna, single de estreia que chegou às plataformas digitais neste 20 de novembro com uma mensagem de superação. A letra ganhou um videoclipe que logo no inicio traz estáticas chocantes: "75% das pessoas mortas pela polícia no Brasil são negras".

A música traz uma voz de esperança e é embalada pela estrofe: "Eu vou dançar no caos do mundo em trevas/ jamais deixar o mal assumir as rédeas/ a vida é uma vela/ mas eu sou lanterna". 

Péricles e Projota 

Homem invisível é o lançamento de uma parceria entre o sambista Péricles e rapper Projota. A letra exalta às comunidades e os morros do Brasil e o legado da sobrevivência que carregam os jovens pretos "perdidos na cidade e invisível na sociedade", como pontua Péricles nas primeiras batidas da faixa. 

"Essa é uma canção linda que possui uma mensagem muito importante, por isso, queríamos um nome que a levasse ainda mais longe, foi aí que o Projota surgiu. Já o conhecia há algum tempo e sempre admirei o trabalho dele. Ele é um artista incrível e talentosíssimo. Fiquei muito feliz quando ele pôde participar do projeto do meu filho Lucas Morato e mais feliz ainda quando ele me citou na canção Muleke de vila. Isso nos deixou ainda mais próximos para que essa parceria desse certo”, conta Péricles em material de divulgação. 

Barroso Eus

Barroso Eus apresenta Vendo sonhos, novo trabalho que nasce no Dia Nacional da Consciência Negra com a missão de elucidar questões como marginalidades, igualdade, cotidiano, sabedorias maternas, questionamentos existenciais, amor, LGBTfobia, machismo, xenofobia e misoginia. Uma das principais inspirações por trás do álbum foi a obra prima do poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto, Morte e vida Severina

Jéssica Ellen

A atriz e cantora Jéssica Ellen lançou a faixa Macumbeira, a novidade faz parte do EP homônimo da cantora, previsto para ser lançado em 2021. A canção, além de ser uma autoafirmação de fé e de autoestima do povo preto, é tratada pela artista “como um manifesto, uma maneira de resistir e um grito de alerta sobre as queimadas aqui e no mundo”.

Para Jéssica, o single nasce como uma forma de protesto e do questionamento de como os políticos vêm tratando o assunto, chegando ao ponto de responsabilizar indígenas e quilombolas pelas queimadas. O manifesto é guiado pelo trecho: "Mandigueira/ na coité bebo a força da Jurema/ feiticeira/mel de abelha em fulô de alfazema/ corro a gira/ sou cabocla Jupira e a caipora/ pombagira/ com Seu Sete da Lira na viola".

Mahmundi 

A cantora Mahmundi trouxe criou o projeto Sorriso rei, em homenagem ao mês da Consciência Negra, e que traz a estreia da cantora como diretora criativa. O álbum celebra e homenageia grandes artistas negros da música nacional, como Gilberto Gil e Jovelina Pérola Negra. 

“A gente chegou a pensar em músicas clássicas de várias artistas pretas, como Alcione, mas pensar em Jovelina Pérola Negra e pensar em Gilberto Gil, a gente está falando de dois Brasis", contou a cantora carioca em coletiva de imprensa.

O projeto ainda traz Mumuzinho, Malía, MC Zaac, RUBY, Mahmundi, Léo Santana, Xande de Pilares e Priscila Tossan como  intérpretes.

Aline Wirley

Aline Wirley lançou a música Curva do Rio, que faz parte de Indômita, primeiro álbum solo após a saída do grupo Rouge. Perpassado de ancestralidade, o novo trabalho apresenta um som que enaltece a potência da mulher preta por meio dos versos: "Preta, santo canto a tua força o teu axé e a tua graça/é tua raça/ dança refletindo a cor e a luz que brota do teu coração". 

 

Proteja os seus sonhos

"Sonhos nem sempre são românticos, mas proteja os seus sonhos como matéria prima de suas vidas". É desta forma que Conceição Evaristo, uma das maiores referências da literatura brasileira, abre o álbum Proteja os seus sonhos, projeto colaborativo entre a plataforma de cultura negra AUR, o produtor Theo Zagrae, o laboratório musical MangoLab, e a Som Livre. 

O álbum visa a celebração da cultura preta por meio de nove músicas, sendo oito inéditas, interpretadas por 15 artistas negros que representam o futuro de uma nova cena musical. 


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