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Conheça espaços culturais do DF que oferecem programações para nutrir a alma

Brasília se renova com opções culturais variadas no Plano Piloto e em outras cidades. Proprietários apostam em locais de experimentação artística

Guilherme Domênico*
postado em 30/11/2021 06:00
Ó Infinu é um espaço que funciona como galeria e também oferece uma variedade de opções e serviços -  (crédito: Bárbara Cabral/Esp/CB/D.A Press)
Ó Infinu é um espaço que funciona como galeria e também oferece uma variedade de opções e serviços - (crédito: Bárbara Cabral/Esp/CB/D.A Press)

Brasília, conhecida nacionalmente por ter uma cena cultural ativa muito ligada ao pop e ao rock, vai muito além. Esconde nas entrequadras de suas asas, bares, lojas, galerias e diferentes espaços culturais de tribos diversas. Lugares que oferecem variadas opções, desde exposições, cursos de manuseio com argila, até pintura em telas e estúdios de tatuagem. É o caso do Studiozin Criativo, que fica na Asa Norte.

"A ideia é que seja um espaço seguro para qualquer pessoa disposta a criar. O Studiozin veio com a missão de mostrar a importância da arte na educação", afirma a artista plástica e idealizadora do projeto, Duda Crisóstomo. O espaço, que comemorou primeiro ano de existência em outubro, proporciona ao público uma imersão em vários aspectos do universo cultural. Recebe eventos como exposições, lançamento de livros, shows e oficinas.

Outro local multicultural no Plano Piloto é o Infinu Comunidade Criativa. A proposta do espaço de funcionar como galeria, que oferece também uma variedade de opções e serviços, veio da inspiração de outras cidades mais tradicionais que já conhecem o formato.

A crescente adesão das pessoas, que enxergam nesses espaços a possibilidade de descobrir e explorar novas estruturas artísticas, evidencia a disposição dos consumidores em se fazerem, de fato, presentes na vida cultural da cidade. Essa é uma das potencialidades apontadas por Miguel Galvão, um dos sócios idealizadores do Infinu. "O público brasiliense está cada vez mais aberto ao vínculo que tem com a cidade, gosta de qualidade e entende que pode ser parte do desenvolvimento estético dela."

É fato que a imersão cultural do público em Brasília tem se tornado cada vez mais ativa, entretanto nem todos os aspectos são vantajosos para os empreendedores. "O custo de vitrine para se operar no Plano Piloto é muito alto, tornando as operações muito intensivas em investimento, o que dificulta o acesso ao mercado, sobretudo a quem está começando", relata Miguel.

Outra dificuldade é a falta de estruturas físicas e de pessoal para colaborar com os projetos. "Faltam museus, coleção e incentivo público, além de uma maior integração entre os espaços culturais com universidades e centros de ensino superior", destaca Oto Reifschneider, pesquisador, colecionador e dono da Oto Galeria. 

Apesar dessas barreiras, a galeria, que já expôs no Museu Nacional, na Caixa Cultural e até mesmo na Universidade de Brasília (UnB), está em expansão. O projeto contará com um novo espaço expositivo, além de seu acervo permanente, que oferece ao público obras de arte datadas desde 1930 até 1970, como gravuras, desenhos e esculturas.

O enriquecimento que a atividade cultural proporciona encanta diversos tipos de público. "Nós temos a alegria de observar muitas pessoas de gerações diferentes consumindo arte e outros produtos. A gente percebe que a galera é muito aberta. O pessoal costuma ter algumas preferências, mas eles acreditam em nós para podermos apresentar as novidades", relata Paulo Stefanini, um dos sócios idealizadores do empório Imagina Juntos na Asa Norte.

*Estagiário sob a supervisão de José Carlos Vieira

 

Onde fica

Studiozin criativo - Segunda a domingo 10h as 20h30

@studiozin.criativo

Asa Norte SCN 115 Bloco A loja 51 Subsolo

 


Oto Galeria - Terça a sábado de 12h30 às 20h30 com exceção aos sábados, que funciona das
10h às 18h

@otogaleria

Asa Norte SHCN CLN 302 Loja 41


 

Infinu Comunidade Criativa -
Segunda a domingo das 10h às 22h

@infinubsb

Asa Sul CRS 506 Bloco A Loja 67


 

Imagina Juntos - Quinta feira das 16h à meia-noite, sexta-feira das 17h à 1h e sábado das 14h à meia-noite

@imaginajuntos.loc

Asa Norte CLN 412 Bloco C Loja 4

O cinema além das asas

 (crédito:  Vladimir Luz/Divulgação)
crédito: Vladimir Luz/Divulgação

O cinema além das asas

A cena audiovisual da capital vem crescendo nos últimos anos, principalmente fora da área central. Festivais movimentam cidades do DF longe do Plano Piloto, com o objetivo de dar voz a suas comunidades e visibilidade a realidades e vivências. Festcine Paranoá, Festival Curta Cerrado, Festival Taguatinga de Cinema e Mostra Samambaia de Cinema são

alguns deles.

"Enxergamos o cenário como um local de oportunidade e de falas diversas, percebemos que há muitos filmes sendo feitos, no entanto, esse tipo de filme não chega ao público dessas regiões", explica Bruna Abreu, uma das idealizadoras e coordenadora de comunicação da Mostra Samambaia. "Filmes feitos fora do Plano Piloto geralmente não encontram muita exibição após serem finalizados. São poucos que furam a bolha e se colocam dentro do mercado", conclui.

Apesar de muitas vezes não alcançarem a visibilidade e reconhecimento que merecem por seu trabalho, os produtores culturais que atuam nas regiões administrativas conseguem atingir e mobilizar os moradores, geralmente recebendo um alto número de inscrições e bom número de audiência.

"Nesses últimos anos, nós tivemos um público enorme. Distribuímos mais de R$ 30 mil em prêmios, tivemos muitos filmes inscritos e percebemos que estamos realmente avançando. A formação de público é essa sementinha que vamos plantando, percebemos claramente a melhora da primeira para a segunda edição. Muitas oficinas foram realizadas, além de exibições nas escolas do Paranoá", comenta Patrícia Antunes, uma das produtoras do Festcine Paranoá, que recebeu em suas duas primeiras edições a inscrição de quase mil filmes em âmbito nacional.

O fato de os festivais não se aterem apenas aos filmes demonstra a versatilidade e o engajamento das organizações em promover atividades formativas por meio de oficinas, workshops, debates e rodas de conversa.

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