Entrevista // Lulu Santos

Lulu Santos conversa com o Correio antes de show em Brasília neste sábado

Depois de uma longa temporada imposta pela pandemia, Lulu Santos apresenta o show Alô, base!, neste sábado e domingo, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães

Irlam Rocha Lima
postado em 02/04/2022 06:00
 (crédito:  Guto Costa/Divulgação)
(crédito: Guto Costa/Divulgação)

"Todo mundo espera alguma coisa de sábado à noite/Bem no fundo, todo mundo quer zoar/ Todo mundo sonha ter uma vida boa/ Sábado à noite tudo pode mudar...". No momento em que as pessoas já se sentem mais confortáveis para sair de casa, depois do longo período da pandemia, Sábado à noite, um dos incontáveis hits de Lulu Santos, soa como um convite para assistir a Alô, base!, o show que ele apresenta neste sábado (2/4), às 22h, auditório master do Centro de Convenções Ulysses Guimarães.

O pop star inicia por Brasília a turnê comemorativa de 40 anos de sucesso, que o levará a várias capitais brasileiras, a princípio, até julho. Ele tem em sua companhia a banda formada por Hiroshi Mizutani (teclado), Jorge Ailton (baixo), Sérgio Melo (bateria), Tavinho Menezes (guitarra) e Robson Sá (backing vocal).

Ao deixar claro a alegria de retornar aos palcos e de voltar a se conectar presencialmente com os fãs, o cantor e compositor carioca explica que Alô, base! o permite a revisitar canções de sua obra que ao longo de quatro décadas foram consagradas pelo público, transformando-o num hit maker. Ele vê como centelha inicial as canções Areias escaldantes e Tesouro da juventude, compostas nos primórdios dos anos 1980.

Lulu já perdeu a conta de quantas das músicas que compôs fazem parte da memória afetiva das pessoas. São tantas que fica difícil relacioná-las.Para o roteiro do show, foram escolhidas 36 —, representativas de diferentes fases da trajetória do artista — incluindo a mais recente, da qual saiu uma das faixas do projeto Inocentes.

Boa parte tem a assinatura apenas de Lulu, a exemplo de Assim caminha a humanidade, Casa, Toda forma de amor e Tudo bem. Há as feitas com parceiros, principalmente Nelson Motta, entre elas Certas coisas, Como uma onda, Já é e Sereia. Ronaldo Bastos é co-autor de Um certo alguém; enquanto o poeta Antônio Cícero escreveu a letra de Último romântico.

Músico precoce, Luis Maurício Pragana dos Santos, começou a tocar na pré-adolescência na banda Cave Man, que fazia cover dos Beatles. Aos 19 anos, passou a integrar o grupo Veludo Azul; e, logo em seguida, se juntou a Lobão, Ritchie e Patrick Moraz na Vímana, da qual saiu em 1981 para dar início à carreira solo, durante a qual lançou 24 discos. O mais recente é o Pra sempre, com músicas compostas para o marido Clebson Teixeira.

Alô, base!

Show de Lulu Santos e banda hoje (sábado), às 22h, no auditório master do Centro de Convenções Ulysses Guimarães (Eixo Monumental). Ingressos: R$ 100 (poltrona superior), R$ 140 (poltrona especial), R$ 160 (poltrona vip), R$ 180 (poltrona gold), R$250 (poltrona premium), R$ 500 (Camarote Humm), R$ 1.500 (Espaço Bistrô). Não recomendado para menores de 14 anos. Venda e informações no site Bilheteria Digital. Lojas físicas no Pátio Brasil, piso 1 e Super Forma Nutrição (303 Sudoeste).

Entrevista

Que avaliação faz da trajetória iniciada em 1981 com a canção Tesouros da juventude, que chega a quatro décadas com a turnê Alô base?

Avaliar é atribuir um valor, como a um imóvel, uma joia ou algum bem, não acho que é minha atribuição fazê-lo. É minha história contada nas canções que tenho feito e gravado ao longo deste tempo de 1981 a 2021.

Após longa ausência dos palcos, que sentimento experimenta ao voltar a botar o pé na estrada? E iniciar por Brasília?

O início desta gira foi adiado três meses por conta do pico da variante ômicron, Brasília foi a única data que permaneceu por ser a última e recentemente marcada. Temos gradativamente feito apresentações desde dezembro de 2021, além de tevê que, a rigor, nunca paramos. A volta é do público, tenho ido a shows dos outros artistas e parece haver um desejo forte de entretenimento e, principalmente, de congraçamento.

Como reagiu ao ver A cura, que você compôs em tempo de epidemia da Aids, ser tomada como um dos hinos da pandemia da covid 19, inclusive com releitura do Vitor Kley?

A rebobinada dá novo sentido à canção, outra epidemia, mesma humanidade. A bela gravação da Vitor Kley  acrescenta uma dramaticidade, seja no acorde diminuto que adicionou à harmonia, seja na constatação de que sempre será necessário buscar alguma forma de cura.

Foi a inquietude que o levou a ocupar o tempo durante a longa quarentena com a criação de novas composições, lives, participação em programa de tevê e gravação de clipe com a banda Melim?

O livro/songbook Lulu Traço e Verso, que fiz com o ilustrador Daniel Kondo é o fruto mais evidente do período, levamos quase os dois anos elaborando e se o lançou em novembro de 2021 na Bienal do Livro no Rio de Janeiro. De resto, trabalho como sempre fiz, da forma que foi possível, dadas as circunstâncias.

No show que chega hoje a Brasília há canções compostas mais recentemente, mas prevalecem os eternos hits. A busca da conexão com o público é que o leva a elaborar o set list?

O repertório do novo show é minha história contada mas também é, principalmente, a de cada pessoa na plateia, o momento no tempo em que esta ou aquela canção deu sentido a sua própria experiência de vida.

Em Brasília você já se apresentou incontáveis vezes, em diferentes locais, sempre recebendo calorosa acolhida do brasiliense. Há algo a mais que o leva a ter ligação com a cidade?

A calorosa acolhida sempre enternece e faz necessário o reencontro. Brasília é o centro geográfico, político e moral do país, torna o encontro especialmente tocante.

Seu posicionamento ao combater todas as formas de preconceito e repressão tem sido ressaltado. Isso voltou a ocorrer no Lollapalooza, ao repetir o mantra da ministra Carmem Lúcia, "Cala boca já morreu", contra a proibição de manifestação política por parte dos artistas, ao participar do show da banda Fresno. Na sua visão, neste momento, é uma luta da qual o brasileiro não pode fugir?

Depende do ponto de vista desse brasileiro/a, é escorregadio generalizar, cada cabeça uma sentença, diz o ditado.

A cultura tem sido um dos alvos preferenciais de ataques dos detentores do poder no país atualmente. No seu entendimento, o que leva essas pessoas a isso?

Sinceramente, não tenho como responder pela cabeça de quem pensa e age ao contrário do que me parece justo, natural ou recomendável. Eles que se entendam, ou mais frequentemente, desentendam.

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