Mostra

Mostra 'Maratona de Filmes', no Cine Brasília, revê momentos históricos

Atração de amanhã (22/04), no Cine Brasília, a mostra de seis filmes terá acesso livre

Ricardo Daehn
postado em 21/04/2022 18:01
No 33º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, o diretor Vladimir Carvalho confere as lentes, ao lado da esposa Lucília Garcez  -  (crédito: Nehil Hamilton/CB/D.A Press)
No 33º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, o diretor Vladimir Carvalho confere as lentes, ao lado da esposa Lucília Garcez - (crédito: Nehil Hamilton/CB/D.A Press)

Nos 62 anos da capital, um enredo que envolve cumplicidade, casamento de propósitos e compromisso de eterna fortuna crítica estampa os feitos de uma mostra no Cine Brasília (EQS 106/107). Com entrada franca, o evento que transcorre nesta sexta (22/04), entre as 10h e 20h, é intitulado Maratona de Filmes e teve curadoria das jornalistas Carmem Moretzsohn e Gioconda Caputo. Grosso modo, seis produções de cinema, fundamentais em momentos distintos da vida cultural de Brasília, formatam a programação.

Tainá — A origem dá a largada, às 10h, com participação de alunos de escolas públicas e o público em geral. Conduzido por Rosane Svartman, o filme, que conta com o brasiliense Nilson Rodrigues como coprodutor, enfoca aspectos da importância e do respeito pela preservação ambiental. Atração programada para sequência, às 12h, a comédia A canoa furou tem por astro Jerry Lewis. O filme teve realização em 1959, e revela os empecilhos para a pretendida lua de mel de um ex-oficial da Marinha norte-americana que se vê preso às forças militares, mesmo em momento de extrema importância para a vida pessoal. Dirigido por Norman Taurog, o longa marcou a inaugural sessão de abertura do Cine Brasília, e que contou com a presença do presidente Juscelino Kubitschek.

Maior colorido local volta a ser injetado na sessão das 14h, com o longa Louco por cinema que, no 27º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, conduziu o filme e o diretor André Luiz Oliveira à vitória com seis prêmios Candango, computados os de melhor filme e melhor diretor. Na trama, a sanidade de um realizador é posta à prova, depois que ele assume o arriscado plano de concluir uma obra de cinema, por décadas, inconclusa.

Nome de peso no cinema nacional, o realizador paraibano Vladimir Carvalho, radicado em Brasília desde os anos de 1970, integra Maratona de Filmes com Barra 68 — Sem perder a ternura, que, há 20 anos, foi consagrado no Festival de Brasília, quando expôs a direta interferência militar nos corredores acadêmicos da universidade. A narração do documentário é do ator Othon Bastos, presente no título seguinte, a ser mostrado às 18h: Bicho de sete cabeças, filme assinado por Lais Bodanzky. Com participação vital do ator Rodrigo Santoro, o longa mostra processos degenerados de suposta recuperação mental reservada a pessoas condenadas ao esquecimento em manicômios.

Finalmente, às 20h, a sessão celebrará Arnaldo Jabor, diretor e cronista morto em fevereiro passado. O filme escolhido é de 1978: Tudo bem, irônico desde o título. Regulamentos, normas sociais e o famigerado “jeitinho” nacional assentam espaço na trama que repercute os bastidores de uma reforma em apartamento carioca. Dotado de um sentimento de admiração por indigenistas (em nada, valorizados, ontem e hoje), o protagonista de Paulo Gracindo é um aposentado que carrega o desinteresse pela mulher interpretada por Fernanda Montenegro. Ditando máximas como “massas para a massa”, Jabor introjeta um punhado de tiradas alegóricas que revelam, indiretamente, o Brasil enamorado por estrangeiros, a cegueira acoplada à religião e a prática da bondade, tão festejada pelos brasileiros.



Notícias pelo celular

Receba direto no celular as notícias mais recentes publicadas pelo Correio Braziliense. É de graça. Clique aqui e participe da comunidade do Correio, uma das inovações lançadas pelo WhatsApp.


Dê a sua opinião

O Correio tem um espaço na edição impressa para publicar a opinião dos leitores. As mensagens devem ter, no máximo, 10 linhas e incluir nome, endereço e telefone para o e-mail sredat.df@dabr.com.br.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação