
Crítica // A única saída ★★★★
Um perigoso filme que entorpece, na mesma medida em que o diretor sul-coreano Park Chan wook conseguiu, em 2002, com o longa Oldboy: assim é A única saída, que abduz o senso ético ao tematizar algo sério, dentro de uma dramaturgia rica em violência estilizada. Capitalismo e humanismo entram em mórbida rota de colisão nesta perturbadora adaptação de O corte (da literatura de Donald E. Westlake), antes trazida às telas como um drama assinado por Costa-Gavras.
Man-su (Lee Byung-hun, em brilhante atuação, pela qual competiu ao Globo de Ouro) se afunda ao personificar o trabalhador do segmento industrial do papel que é engolido pelo novo domínio do setor por americanos invasores de mercado externo. Demitido, ele cria um mirabolante e sórdido plano de ação individual.
Com uma direção de fotografia estonteante de Kim Woo-hyung, A única saída, desde o Festival de Veneza (em que competiu) arrebanhou, por onde passou, prêmios e a atenção vital da crítica especializada. Pouco a pouco, na ação de Man-su (que se vê responsável por Miri, a esposa, e os filhos Si e Ri), o diretor ativa o pior do espectador que, inconscientemente, adere à vontade de ver o protagonista vitorioso.
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Parece cada vez mais plausível a maneira como o desesperado provedor se comporta frente a um círculo de oponentes (à futura e desejada vaga no mercado de trabalho). Não à toa, deixa o ambiente da Solar (nome da primeira empresa) rumo à sombria Moon (Lua). Marinheiro de primeira viagem, Man-su, na versão meticulosa e sem sentimentos, tangencia se ver mecanizado, à altura do futuro que o espera.
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