O autor Manoel Carlos morreu, neste sábado (10/11), no Rio de Janeiro, aos 92 anos. Ele estava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana, para o tratamento da Doença de Parkison.
Paulistano de nascimento e carioca de coração, Manoel Carlos era conhecido por trazer à televisão a essência da sociedade brasileira, em especial a da cidade do Rio de Janeiro, durante a última metade do século 20. Entre os primeiros trabalhos, estão Helena, a primeira novela escrita por ele, cuja transmissão do primeiro capítulo ocorreu na inauguração da TV Paulista, em 1952; o programa Grande teatro Tupi, que exibia telepeças, de 1953 a 1961; Chico Anysio Show, da TV Rio, do qual foi roteirista; programa da Hebe, entre 1966 e 1973, e Família trapo, entre 1967 e 1971, ambos da Record; e Maria, Maria, a primeira na Rede Globo.
Mais recentemente, nos anos 2000, foi o responsável pelas novelas Laços de Família, Mulheres Apaixonadas, Páginas da Vida, Viver a Vida e Em Família, a última, de 2014. Além delas, as minisséries Presença de Anita, de 2001, e Maysa: Quando Fala o Coração, de 2009. Em 2015, foi supervisor de texto da série Não se Apega, Não, do Fantástico — por onde também passou como diretor geral, em 1973.
Maneco também foi ator e diretor de teatro e escreveu livros, como Bicho Alado e A Arte de Reviver. Ele recebeu diversos prêmios pelas obras que produziu ao longo de mais de 60 anos de carreira.
Ele começou a carreira na Globo em 1972, ao assumir o cargo de diretor-geral do Fantástico. Antes disso, passou por outras emissoras, como a Bandeirantes e Manchete, inclusive como ator.
As novelas escritas por Manoel Carlos são famosas pelos cenários ambientados no Rio de Janeiro, dramas familiares e as "Helenas", personagens femininas recorrentes nas tramas.
Ele deixa as filhas Júlia Almeida e Maria Carolina.
Parkinson
Em janeiro de 2025, uma das filhas de Manoel, a atriz Júlia Almeida, informou, por meio de publicação no Instagram, que o pai havia passado por procedimento, mas se recuperava “bem e em casa”, aos cuidados de “equipe médica completa” e ao lado dela e da esposa, Elisabety Gonçalvez, com quem era casado desde 1981.
Júlia informou que a doença de Parkinson, com a qual o pai havia sido diagnosticado em 2019, embora não incomum, é degenerativa e faz com que cada um passe pelo próprio processo. No caso de Maneco, esse processo era recluso. Portanto, ela diz, ele não só estava bem, mas estava como pediu.
“Ele pediu algumas coisas, que não vem ao caso (contar) aqui, mas uma das coisas foi esse recolhimento, porque ele é assim, não era uma pessoa de grandes saídas, não era uma pessoa de falar, não era uma pessoa de fofoca”, falou no vídeo publicado no dia 3. “Sempre foi uma pessoa discreta, e é assim que eu vou manter.”
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