Crítica // Dois procuradores ★★
Conhecido pela carreira em documentários, o diretor russo Sergei Loznitsa guarda uma intensa propriedade racional, amplamente explorada neste novo filme que, no último Festival de Cannes, competiu diretamente com o celebrado O agente secreto, quando ambos viram vencedor Foi apenas um acidente, longa francês assinado por um iraniano.
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Formado em matemática e especialista em inteligência artificial, Loznitsa traz na bagagem uma adaptação de texto de Dostoiévski, Uma criatura gentil, que já explorava quesitos relacionados à lei. Em Dois procuradores, escritos de Georgy Demidov são contemplados num filme que trata de riscos, perseguições do governo de Stalin e ainda de personagens absolutamente corajosos. Morto em 1987, o escritor, físico e prisioneiro político Demidov trouxe marcas no corpo do abuso governamental, na mesma toada do personagem alfaiate de Udo Kier (morto recentemente), visto em O agente secreto, um sobrevivente do Holocausto.
Apoiado em um precioso desenho de produção, o filme mostra o drama do recém-promovido procurador Kornyeze (Aleksandr Kuznetsov,ator ucraniano conhecido pelo personagem Helmut, em Animais Fantásticos: Os segredos de Dumbledore) nos meandros de uma poderosa denúncia à atuação clandestina da já secreta NKVD, a agência de segurança do Estado Soviético.
Alinhando uma série de riscos, a cada movimento, Kornyeze investe no esclarecimento das denúncias feitas pelo prisioneiro Stepniak (Aleksander Fillipenko). Austero, didático, perturbador na carga e nas camadas de burocracia, o longa pesa, à altura do chumbo integrado ao esquema stalinista. Um dos grandes momentos é o encontro com a proeminente figura da Justiça Vyshynsky (numa composição precisa de Anatoli Beliy).
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