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'Bará me ensina a encontrar o equilíbrio', afirma Evaldo Macarrão

Após o sucesso como Jupará em "Renascer", ator baiano Evaldo Macarrão surge como Agildo Bará, personagem que mistura leveza, humor e consciência racial em "Coração acelerado", novela das 19h da TV Globo

Com jeito doce e olhar sensível, Evaldo Macarrão conquistou o público como Jupará, o fiel amigo de José Inocêncio em Renascer. O personagem, que o ator define como "o amor da minha vida", abriu portas, não apenas profissionais, mas também afetivas. E, hoje, Macarrão celebra mais um capítulo dessa trajetória ascendente: Agildo Bará, o agitador cultural e confidente do patrão em Coração acelerado, novela das 19h da Globo. 

Diferentemente de Jupará e Tôim — outro personagem marcante, vivido em No Rancho Fundo —, Bará chega com um humor mais solto, mas sem perder a profundidade. "Acho Bará muito inteligente e no caminho do bem. Mesmo aprendendo muita coisa com Ronei (Thomás Aquino), percebo que ele escolhe um caminho diferente nos seus afazeres e nas relações. Sinto também Bará um ser carente, apesar da companhia de amizade e trabalho que tem com Ronei. Ainda assim, vejo Bará muito sozinho", pondera.

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Segundo Macarrão, a trama e o personagem o levam para um humor mais presente e leve. "Nada muito caricato e nem muito contido. Bará me ensina a encontrar o equilíbrio. É um aprendizado fazer humor em novela sem forçar, apenas sendo", explica.

A construção do personagem também passou por memórias afetivas do ator, especialmente as tardes na casa da madrinha, ouvindo música sertaneja com as vizinhas. "Por não ser algo muito presente no meu cotidiano, as memórias que tive de quando criança ir para casa de minha madrinha e passar algumas tardes com ela e algumas de suas vizinhas ouvindo música sertaneja, me fez aproximar ainda mais o meu processo de construção de personagem e o entendimento sobre a novela de forma mais rápida e especial", explica.

Marilha Galla - Evaldo Macarrão, ator

Protagonismo negro

Para Macarrão, viver Bará vai além da atuação. O personagem é negro, tem influência e circula por espaços de poder ao lado de um patrão também negro. Algo que, segundo ele, reflete uma mudança importante na dramaturgia brasileira. "As tramas estão tentando reconhecer a importância da história do corpo negro no Brasil. Bará não era um personagem de grande destaque, mas vem se mostrando a partir da grandiosidade do trabalho de um agitador cultural e relação de confiança e amizade com seu patrão", afirma.

Essa consciência, que o ator carrega desde os tempos de teatro em Salvador, também se traduz na forma como constrói seus papéis. "Não faço dos meus personagens o total oprimido. Busco sempre o equilíbrio caso esse seja o caminho predestinado. Porque quase sempre as minhas inspirações são pessoas fortes, destemidas e corajosas. Assim como é o povo brasileiro, para quem é feita a minha arte", observa.

Pedagogo de formação, Evaldo vê na educação um pilar da sua arte. Fundador do Grupo de Teatro Alto Falante, ele atua na formação de jovens atores e atrizes de comunidades periféricas de Salvador, a maioria negra. "Me tornei educador para tentar me educar melhor diante das faltas que tive por conta de um sistema racista. Depois de aprender um pouco, passei a compartilhar", diz. "Me vejo retornando o que fizeram comigo: me escolher para acessar e fazer arte com dignidade."

Novos voos

Além da novela, Macarrão se prepara para estrear seu primeiro protagonista no cinema, no longa A escuta, dirigido por Ariel Cascadura. O filme, ainda em edição, aborda temas como masculinidade e paternidade. "É um projeto muito especial. Vai ser mais um de extrema importância na minha vida e carreira", celebra.

E a paternidade também inspira um sonho antigo: um musical sobre a história do seu pai, Edvaldo do Repique, e do cantor Evaldo Braga. "Quero destacar a importância da relação paterna. Muitos homens pretos são atravessados pela dor, mas ainda assim conseguem ser resilientes e amar, mesmo quando lhes falta amor."

Macarrão não esconde suas influências. O pai, Edvaldo, é a base. Mas a lista inclui nomes como Gilberto Gil, Jovelina Pérola Negra, Grande Otelo, Lázaro Ramos e sua primeira diretora, Carla Lopes. "Minha grande amiga, minha musa inspiradora", sublinha.

Com uma carreira de 17 anos — e que agora ganha novos contornos na televisão, no cinema e no teatro —, Evaldo Macarrão segue firme no propósito de contar histórias que emocionam, representam e transformam. "A cada trabalho, ainda sinto a surpresa do mercado ao me ver tão competente. E isso me ajuda a sonhar com contratos melhores, oportunidades e mais bons papéis com destaque na dramaturgia", conclui.

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