
Crítica // Pinóquio ★★
Quem lembrar de Gepeto, associá-lo ao boneco de madeira e ainda ao Grilo Falante terá que reconsiderar referências, ao acompanhar a empreitada do cineasta Igor Voloshin, seguro na reordenação criativa destinada à animação Pinóquio. O novo filme inspirado em consagrado conto de Carlo Collodi não tem apenas uma origem: ele deriva ainda de um texto chamado A chave de ouro (ainda citado por alguns como As aventuras de Buratino), e veio da escrita de Aleksei Tolstói. Impressionado com Collodi, o escritor russo recriou o mundo de Pinóquio com ajustes para a realidade soviética. O italiano publicou em 1883, enquanto o derivado aportou em 1936.
Com irregulares efeitos visuais, em termos de qualidade, e que contrastam com a realidade da encenação de atores (de carne e osso), Pinóquio traz o menino de madeira que chega ao mundo, como o filho de Carlo (o conhecido Gepeto), depois que baratas intermedeiam sua chegada junto à experiente Tartaruga.
No filme, que aposta em imagens por demais escuras, o protagonista de voz muito estridente (que, nos movimentos, foi interpretado pela jovem atriz Vitaliya Korniyenko) se junta à trupe de artistas deslocados em caravana, integrada por Malvina, Arlequim e Pierrot, entre outros. Todos são escravizados por Carabas (famoso como Stromboli), detentor da direção artística de um show de marionetes. Mais do que shows, ele quer a alma e o domínio de seus artistas.
Pouco calibrado em termos de mentiras, o atual Pinóquio traz uma gritante ingenuidade, que o faz refém de bullying — com direito à uma perturbadora cena de "joão-bobo", no pátio da escola.
Com acabamento digital convincente, o longa traz canções que, o menos em português, tiram a qualidade de tudo. Quando se encontra afastado do núcleo familiar, o protagonista encontra o casal de larápios, nas melhores das composições do filme, vindas de Victoria Isakova e de Alexander Petrov, respectivamente os ladrões de casacos Alice (a raposa) e Basilio (o gato) — ela, muito perversa, e ele com um visual de ponta, entre o Drácula (de Coppola) e algum personagem de Johnny Depp. (RD)
Humanismo em comum
Angelina Jolie é a protagonista do filme Vidas entrelaçadas, que colocou a atriz diante de circunstâncias de cunho pessoal. O longa da diretora francesa Alice Winocour retrata as vidas de três mulheres, uma cineasta, uma modelo e uma maquiadora, cujos destinos se cruzam durante a Paris Fashion Week, renomado evento de moda.
A personagem Maxine, cineasta interpretada por Jolie, descobre um câncer de mama, enquanto Ada (Anyier Anei), um novo rosto no mundo da moda, foge de um futuro previsível no o Sudão do Sul; Angèle (Ella Rumpf), por sua vez, é uma maquiadora que trabalha nos bastidores das passarelas. Quando se encontram no evento de moda, o filme revela essas circunstâncias por trás da superfície da performance pública do evento.
O filme toca em um aspecto biográfico de Angelina Jolie. A atriz hollywoodiana teve a mãe e a avó mortas em razão de câncer de mama, e ela passou por uma mastectomia, cirurgia de retirada das mamas, de maneira preventiva. Anyier Anei, que interpreta a modelo sudanesa Ada, também tem pontos de conexão com a sua personagem. Ela fugiu do Quênia por conta da guerra. O trio principal se completa com Ella Rumpf , que dá vida à maquiadora Angèle. Também se destacam no elenco Louis Garrel e Vincent Lindon. (JPA)

Flipar
Flipar