Crítica // O advogado de Deus ★★
Repleto de boas intenções, e revolvendo uma trama que acusa uma ciranda de existências anteriores para todos os personagens, além de ações retratadas em outros planos, o longa O advogado de Deus adapta um texto de Zíbia Gasparetto (assistida por Lucius), com resultados dramatúrgicos muito colados à qualidade das telenovelas.
Nicolas Prattes dá vida ao advogado Daniel, que vive às voltas com o centrado mundo do pai, o deputado Antônio de Almeida (Augusto Madeira, competente como sempre). Junto com Rubinho (Lucas Leto), Daniel terá o desafio de puxar o fio da meada do drama de Alberto (Danilo Mesquita, nada convicto do personagem), um cliente que vem a contragosto e apinhado de mistérios.
Dotado de cenas carregadas na emoção e ainda de inacreditáveis teores explanativos, o longa traz por mote o ajuste em relação a erros cometidos no passado e no poder da justiça — inclusive aquela descolada do cotidiano humano. Pivôs de alguns solavancos na narrativa, a preocupada Lídia (Lorena Comparato) e o infame médico José Luiz Camargo (Eucir de Souza) representam elos vitais para o quebra-cabeças (numa edição de pouca qualidade) a ser montado por Daniel.
Não há como negar certo amadorismo do confuso roteiro, tomado de rococó e pouco alinhavado (ainda que se incorpore momentos didáticos no roteiro). Um quê da série Detetives do Prédio Azul, naturalmente, invade a história, a dado momento. Não fosse a competência e o malabarismo dos talentosos Henri Pagnoncelli e Beth Goulart, o espectador teria pouco a contemplar e a se contentar.
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