LUTO NO CINEMA BRASILEIRO

Lula decreta luto de três dias pela morte de Barretão, ícone do cinema brasileiro

Luiz Carlos Barreto foi um dos maiores nomes do cinema brasileiro e ajudou a transformar o audiovisual nacional

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usou suas redes sociais para decretar luto oficial de três dias pela morte do produtor e cineasta Luiz Carlos Barreto, que morreu nesta quarta-feira (23/7), aos 98 anos. Conhecido como Barretão, Luiz Carlos foi um dos maiores nomes do cinema brasileiro, no qual atuou de forma decisiva por seis décadas.

O decreto de Lula destaca a importância do cineasta, que teve papel central no combate à censura e o autoritarismo da ditatura militar a partir da década de 1960, período no qual participou do florescimento do Cinema Novo, movimento que revolucionou o cinema nacional. 

“Como poucos, Luiz Carlos Barreto soube defender nossa produção audiovisual. Lutou por políticas públicas para o setor. Ajudou a criar, no Brasil, toda uma cadeia de gente talentosa e extremamente profissional que hoje nos traz orgulho na forma de Oscars, Leões de Ouro e muito prestígio internacional”, enfatizou Lula.

Em postagem, Lula também prestou solidariedade e mandou um abraço carinhoso à família do cineasta. “À sua esposa, Lucy, aos seus filhos, Paula e Bruno, e a todos os seus familiares, amigos e colegas, eu e Janja deixamos um abraço muito carinhoso”, escreveu.

O que é luto de três dias?

Quando é decretado luto oficial de três dias, muitas pessoas ficam com dúvidas sobre como funciona. Basicamente, é um ato simbólico de pesar proposto por uma autoridade legalmente constituída.

Por ser um ato simbólico de agradecimento e reconhecimento à pessoa que faleceu, o luto oficial não configura feriado nacional. Normalmente, o período é de três dias. Em casos de morte decretados pelo presidente da República, o luto poderá ser de até oito dias.

Barretão

O cineasta nasceu em Sobral, no Ceará. Em 1948, começou a carreira como fotojornalista. Trabalhou como fotógrafo da revista O Cruzeiro, experiência que ajudou a moldar seu olhar para a imagem e para as histórias brasileiras.

Graduado em Letras, com atuação no jornalismo e no fotojornalismo, Luiz foi diretor de fotografia de dois dos mais significativos longas nacionais do período: Vidas Secas (1963), de Nelson Pereira dos Santos, adaptação do romance homônimo de Graciliano Ramos, e Terra em Transe (1967), de Glauber Rocha.

Como repórter fotográfico, chegou a fotografar celebridades como Frank Sinatra, o presidente cubano Fidel Castro e a atriz Marilyn Monroe. Em 1963, em parceria com sua esposa, Lucy Barreto, fundou a LC Barreto Produções, uma das mais importantes produtoras do setor audiovisual brasileiro.

A empresa lançou filmes marcantes como Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976), que durante décadas permaneceu como a maior bilheteria da história do cinema nacional; Bye Bye Brasil (1980); O Que É Isso, Companheiro? (1997), indicado ao Oscar de Melhor Filme Internacional; Lula, o Filho do Brasil (2009); Última Parada 174 (2008), entre outros.

Além de produtor, Barreto dirigiu o curta Congada e, ao lado de Eduardo Escorel, o documentário Isto É Pelé (1974), que retrata a trajetória do Rei do Futebol.

O velório será realizado nesta quinta-feira (23), às 11h, no Palácio da Cidade, em Botafogo. Após a cerimônia, o corpo será cremado no Memorial do Caju.

*Estagiária sob supervisão de Benjamin Figueredo

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