Estreia

Uma teia de suspense: entender Tom Holland dá pista do que esperar do filme

Com ação situada quatro anos depois do filme de 2021 e quase duas horas e meia de duração, o novo filme do Homem-Aranha promete focalizar o herói da bilionária franquia em intensa crise

O presente do astro britânico Tom Holland é único: supostamente cotado para ser o icônico 007; está no pesado blockbuster A odisseia com arrecadação de US$ 650 milhões, mundialmente, e sendo elogiado, sem comedimento, pela estrela Anne Hathaway: "Ele me lembra a primeira geração de estrelas de cinema, num mix de atletas profissionais, artistas de vaudeville, dublês e artistas criativos cheios de esperança" (como declarado para a revista Esquire). "Para ser sincero, tem sido como uma espécie de volta da vitória", disse recentemente o ator de um dos filmes mais aguardados em 2026 — Homem-Aranha: um novo dia, que estreia hoje no Brasil. Zendaya (esposa de Tom Holland) volta a interpretar a ex-colega de classe de Peter Parker (a identidade civil do Homem-Aranha), Michelle Jones-Watson. Já Ned Leeds, o inteligente e espirituoso amigo de Peter Parker, ganha novamente a interpretação de Jacob Batalon.

"O filme é o melhor longa do Homem-Aranha que já fizemos", destacou, sem falsa modéstia, o astro, quando sabatinado pela imprensa internacional. Foram cinco anos de produção, e o lado nerd do astro que tem 60 milhões de seguidores em redes sociais privilegiou a fidelidade aos HQs e fãs. Um estudo das caracterizações anteriores do super-herói, pelos astros Tobey Maguire e Andrew Garfield, deu lastro a Holland, no quarto filme em que vive dos mais famosos nova-iorquinos do mundo da ficção. Roteiristas de Homem-Aranha: De volta ao lar (2017) e Longe de casa (2019), Chris McKenna e Erik Sommers assinam a nova obra do novato no universo do "cabeça-de-teia" Destin Daniel Cretton (talento comprovado pelo comando de Shang-Chi e a lenda dos dez anéis, da Marvel Studios), que já propagou o "entusiasmo" do ator central e a "diversão quase criminosa" dos bastidores do filme que chega, cinco anos depois de Homem-Aranha: sem volta para casa (estrelado por Holland, em 2021, presente ainda em Capitão América: Guerra Civil, Vingadores: Guerra Infinita; Vingadores: Ultimato e, sem estar creditado, em Venom: Tempo de carnificina).

"Este (novo) filme é um verdadeiro mistério e, durante boa parte da história, até mesmo o Homem-Aranha fica meio confuso e perdido, sem entender o que está acontecendo. Estamos apenas tentando encontrar maneiras de fazer com que o filme tenha ares de uma trama de investigação", adiantou Holland, em uma enorme entrevista dada, em abril, nos Pinewood Studios. À época, entre o pesado sigilo que encobre a obra, o trabalho de Holland foi complementar piadas e ajustar arestas formuladas na trama. Para quem apostava no fechamento de uma trilogia, em 2021, o filme agora comprova derivações no Universo Cinematográfico da Marvel (MCU), pelas realidades paralelas de dimensões presentes com o multiverso. Na nova aventura da franquia bilionária (por enquanto, com faturamento de US$ 3,9 bilhões), Peter Parker fica por demais apagado, em consequência da extensão do feitiço a cargo de Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch), no filme de 2021, em que brilharam os atores da franquia (iniciada em 2002), Maguire e Garfield, além do desfile de vilões como Duende Verde, Doutor Octpus e Lagarto.

Naturalmente amistoso, no consenso da legião de fãs, Tom Holland, no personagem central, ficará fora do radar dos antigos amigos Ned Leeds e Michelle Jones-Watson. Um acúmulo de situações danosas levará Peter Parker a uma transformação perigosa, concomitante à aparição de um poderoso vilão. Fora do circuito escolar — época em que viveu a paixonite colegial dele Liz Allan (Laura Harrier) e combateu o vilão do primeiro filme (de 2017), o Abutre —, Parker, na nova aventura, já passou dos 20 anos, e, isolado na faculdade, enfrenta pesados dilemas. Um dos embates será com o Justiceiro, que lança mão de métodos criminosos, legítimos de um anti-herói.

Atitude inesperada de raiva e até de expressões adulteradas (que chegam a tornar seus olhos pretos) tornam Peter Parker o grande enfocado do longa. Para além de Mark Ruffalo, escalado para viver o Hulk Cinza (um colosso em comparação à versão já abrutalhada de Hulk), o filme da Marvel contará como o ator e também rapper Krondon, na pele do vilão Lápide; Michael Mando (de Better call Saul) encarnando o criminoso Escorpião e Fred Myers, à frente de um antigo jogador de baseball que revela a identidade de oponente de Parker, Boomerang. Entre tantos novos personagens, um mistério cerca o papel reservado para Sadie Sink (de Stranger things), que muitos apostam, se revelará a mutante Jean Grey.

Digno de Oscar?

Enquanto espera pelo Oscar (publicamente, ambicionado e "desejado"), que, há quem especule, será a partir da cinebiografia de Fred Astaire (Holland já afirmou estar a passos dos intensivos em estúdios de dança), o ator segue se descolando das imagens juvenis vistas no musical londrino Billy Elliot ou mesmo do personagem absolutamente impactante de O impossível (conduzido por J.A. Bayona). "Acho que, à medida que envelhecemos, ficamos um pouco mais cínicos. Os pontos negativos de algo podem acabar parecendo mais evidentes do que os pontos positivos", comentou, recentemente, ao avaliar dos riscos das interpretações sem seguras redes de apoio, como a da famosa participação no show televisivo Lip Sync Battle, sob puro entretenimento, em que personificou Rihanna.

Os bastidores de Homem-Aranha: Um novo dia atrelaram Holland à desconfiança quanto a veracidade impressa em tabloides. Um pequeno acidente sofrido nas filmagens ganhou proporções mentirosas. "Vivemos em uma época em que você pode dizer a coisa errada sem querer, ou alguém pode distorcer suas palavras e você precisa se explicar", defendeu, em entrevista a Esquire.

Nos cinemas, novamente em projeto imenso, depois de passagens não tão bem apreciadas, como Cherry: inocência perdida (2021), O diabo de cada dia (2020), Mundo em caos (2021) e Uncharted: fora do mapa (2022), o ator segue "a adorada" turnê de divulgação de Homem-Aranha e de A Odisseia, hits do verão norte-americano. Pelo exagerado "orgulho", a turnê gerou incidentes como uma saia-justa. A declaração veio bastante sincera: "Quando você está divulgando filmes dos quais realmente se orgulha, é muito fácil", disse ele, completando: "Porque, quando perguntam por que as pessoas deveriam assistir (a este ou aquele filme), você, ao responder, não está mentindo para ninguém. Você realmente acha que as pessoas deveriam ir assistir (ao filme)". A um podcast, ele disse ter feito "muita porcaria" em filmes que não deveriam ser prestigiados.

 

 

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