
Crítica // O fim da rua ★★★
Uma caprichada volta ao tempo, com o dedo do produtor J.J. Abrams, respaldado pela direção de produção de Maya Shimoguchi (de Ford vs. Ferrari) e pelo editor de Coração louco e Amantes, John Axelrad: todos muito com a estética do fazer de cinema dos anos de 1980. Somado aos efeitos visuais com registro analógico, e ao olhar do cineasta David Robert Mitchell, o conjunto está completo. Habilidoso na carreira casada com o suspense, vide Corrente do mal (2014) e O mistério de Silver Lake (2018), Mitchell indiretamente celebra e segue o sucesso A hora do mal (2025), ainda com muita imaginação bebida
da franquia Um lugar silencioso.
Até a entrada em cena de uma histeria coletiva na chamada rua Oak (Flowervale), ainda que em crise, a descolada família central do longa reúne Denise (Anne Hathaway), o marido, Greg (Ewan McGregor), e os filhos Brian (Christian Convery) e Audrey (Maisy Stella).
Cercados pelo tosco vizinho Mel (P.J. Byrne), eles se isolarão do cotidiano do bairro, assim como todos outros, com a entrada em cena de eventos mais do que prolemáticos. Depois de viver literalmente O impossível, em filme homônimo sobre tsunami, McGregor encara agora a densidade de florestas criadas instantaneamente, queimadas, e, mais inexplicável: momentos "insanos, ridículos" e chocantes, no imprevisto retorno de dinossauros.
Vultos e uma natureza revoltada são acompanhados pela música exaltada de Michael Giacchino (o mesmo de Homem-Aranha: Um novo dia), moldura para as primárias reações da família que ainda ouve clássicos como Valerie (de Steve Winwood) e More than this (sucesso da Roxy Music, com Bryan Ferry).
Pincelada por episódios de solidariedade e humor, a aventura traz uma embalagem cuidadosamente legitimada por equalizada linguagem oitentista, e que abriga algo de escatologia e sentimentalismo, além de tensas e enervantes situações como a do enorme e branco bicho anfíbio. "É o fim do mundo?!", pergunta um dos personagens do filme, a dado momento. Seria? Será?

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