
O desabamento que atingiu a residência do guitarrista Léo Stuart, da banda Tihuana, ganhou um novo capítulo com acusações envolvendo Simone Mendes. O músico afirma que ele e seus familiares correram risco de morte durante o episódio e sustenta que, mesmo diante da gravidade do ocorrido, a cantora não teria procurado a família para saber como eles estavam.
Segundo o colunista Daniel Nascimento, do jornal O Dia noticiou, os advogados de Léo afirmam que Simone nunca teria procurado o músico, sequer para saber se estava tudo bem com ele, apesar das consequências que o desabamento poderia ter provocado.
O caso aconteceu em 6 de novembro de 2024, em Barueri, na Grande São Paulo, durante fortes chuvas. Segundo o relato do guitarrista, um muro relacionado à obra realizada no imóvel de Simone cedeu e uma grande quantidade de água, lama e restos da construção avançou sobre sua propriedade.
O boletim de ocorrência registra que o material atingiu o pomar, a piscina, o lago de carpas e a área de lazer, além de invadir a parte térrea da residência e danificar móveis e outros objetos.
A possibilidade de novos desabamentos levou a Polícia Civil a solicitar uma perícia no local em caráter de urgência.
Caso foi registrado na Polícia Civil
Léo procurou o Distrito Policial de Barueri no dia seguinte ao episódio. O boletim de ocorrência classificou o fato como crime consumado de desabamento ou desmoronamento, previsto no artigo 256 do Código Penal.
No primeiro registro, o guitarrista aparece como vítima e a autoria consta como desconhecida. O campo destinado ao responsável pelo fato traz a identificação Autor Desconhecido 1.
Em dezembro de 2024, uma segunda edição do boletim acrescentou Simone Mendes como proprietária da construção onde ocorreu o desabamento. O histórico também registra a constatação de ausência de sistema de escoamento de água no local e informa que a obra continuava em andamento.
A inclusão do nome da cantora, entretanto, não significa que ela tenha sido apontada como autora do delito. O documento a identifica como proprietária da construção. Uma eventual responsabilização dependeria do avanço das apurações e da individualização de eventual conduta relacionada ao episódio.
O artigo 256 do Código Penal prevê pena de um a quatro anos de reclusão e multa para quem causar desabamento ou desmoronamento expondo a perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio de terceiros. Na modalidade culposa, a pena prevista é de seis meses a um ano de detenção.
Perícia apontou risco para moradores
As circunstâncias do episódio também foram analisadas pelo Instituto de Criminalística da Polícia Técnico-Científica de São Paulo.
Segundo o laudo, não foram encontradas na área da obra canaletas, tubulações ou outros meios para direcionar a água proveniente das chuvas. A perícia também registrou que a área havia sido desmatada e apontou características do terreno que favoreciam o deslocamento da água em direção à residência de Léo.
De acordo com o documento, pelo que foi observado durante a vistoria, o local gerador do desmoronamento foi a obra vizinha à residência do músico.
A perícia também apontou risco para terceiros, incluindo os moradores da casa atingida. Nos autos, os advogados do guitarrista sustentam que o episódio poderia ter provocado consequências fatais para Léo e seus familiares.
Os prejuízos também atingiram os animais da residência. Uma das carpas de estimação do músico teria morrido depois que o lago foi tomado pela lama e pelos destroços.
O impacto do episódio, segundo seus representantes jurídicos, foi além dos danos materiais. Os advogados afirmam que o pavor vivido durante o desabamento teria levado Léo a adquirir outros dois lotes com a intenção de construir uma nova residência.
Eles sustentam ainda que permanecer na casa atingida teria se tornado sinônimo de tristeza e medo para o músico e sua família.
Advogados criticam postura de Simone Mendes
Além de discutir as circunstâncias do desabamento, os representantes de Léo fazem uma crítica direta à postura que teria sido adotada por Simone depois do episódio.
Em manifestação apresentada à Justiça, eles afirmam que a cantora nunca teria procurado o músico, sequer para saber se estava tudo bem com ele.
Os advogados destacam a ausência de contato justamente ao argumentarem que as consequências do desabamento poderiam ter sido fatais para Léo e seus familiares.
Segundo os representantes do guitarrista, Simone teria preferido se esquivar da situação em vez de buscar uma solução amigável. Nos autos, eles classificam a postura como lamentável.
Apesar da crítica, os advogados fazem uma ressalva. Eles afirmam querer acreditar que essa conduta não tenha partido diretamente da cantora, mas, talvez, de sua assessoria.
As declarações sobre a postura de Simone após o episódio são alegações apresentadas pelos representantes de Léo no processo. Da mesma forma, as discussões sobre eventual responsabilidade pelo desabamento ainda não tiveram uma conclusão definitiva.
No âmbito policial, o boletim inicialmente registrou autoria desconhecida e, posteriormente, passou a identificar Simone como proprietária da construção. O documento não aponta expressamente a cantora como autora do delito previsto no artigo 256 do Código Penal.
A colunista procurou a assessoria de Simone Mendes para comentar as acusações, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.
