COBERTURA

Exibição de filme do DF encerra Mostra Competitiva Nacional do 59° Festival de Brasília

Sabes de mim, agora esqueça, de Denise Vieira, conta a história de um dos poucos cabarés que sobrevive à repressão dos Lanternas em uma Ceilândia distópica

'Sabes de mim, agora esqueça' é o único representante do DF na Mostra Competitiva Nacional do Festival de Brasília -  (crédito: Isabela Berrogain/CB/D.A Press)
'Sabes de mim, agora esqueça' é o único representante do DF na Mostra Competitiva Nacional do Festival de Brasília - (crédito: Isabela Berrogain/CB/D.A Press)

A exibição Sabes de mim, agora esqueça, único representante do Distrito Federal na Mostra Competitiva Nacional do 59° Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, marcou o encerramento da competição que celebra filmes dos quatro cantos do país, na noite desta sexta-feira (18/9). Dirigido por Denise Vieira, a produção audiovisual conta a história de Rubia (Pietra Sousa), uma mulher em fuga que é resgatada por Margô (Cida Souza), dona de um dos poucos cabarés de Ceilândia que sobrevive à repressão dos Lanternas.

Ao Correio, Denise explicou que a intenção era que Sabes de mim, agora esqueça fosse um filme sobre prazer feminino. “A figura da prostituta surge como essa mulher que é impedida de estar na rua para exercer o trabalho sexual e que busca nesse espaço, que é o Toca das Gatas, da Margô, um refúgio, que acaba virando uma casa de feitiço”, detalhou a cineasta. “As personagens têm superpoderes e, por meio deles, conseguem sutilmente comandar tudo o que acontece ali dentro”, acrescentou.

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Parte do elenco, de acordo com Denise, já exerceu ou exerce o trabalho sexual. “Comecei a construir essa relação com essas personagens há mais de quatro anos. As atrizes estiveram muito presentes na construção desses papéis, porque era só assim que eu imaginava que esse filme poderia ser feito”, afirmou a cineasta que estreia como diretora e roteirista em um longa. Durante a apresentação do projeto nos palcos do Cine Brasília, ela celebrou a sessão lotada para prestigiar uma produção de Ceilândia e pediu por uma sala de cinema pública na região.

Moradora do Sol Nascente, a protagonista Pietra Sousa descreveu como “extremamente representativo” fazer parte do festival. “O filme traz uma travesti negra em um lugar de destaque, além de uma equipe majoritariamente formada por mulheres de Ceilândia e outras periferias”, ressaltou a atriz. “Estou emocionada, ansiosa e desejando que isso tome uma proporção que a gente não imagina”, torceu.

Apesar de se passar em um futuro distópico, o longa, para Pietra, dialoga diretamente com a realidade atual do país. “No filme, a gente lida com um cenário em que mulheres são perseguidas pelos Lanternas, o que se relaciona com essa onda de feminicídio que está acontecendo no Brasil, as perseguições em relação a manifestações culturais e até a certas profissões. No próprio cinema a gente está lutando muito pela sobrevivência”, lamentou a protagonista.

Antes de Sabes de mim, agora esqueça, foram exibidos os curta-metragens Poronga (RO), de Rafael Rogante — que marcou a estreia do estado no festival —, e Banho de choque (PE), de Cíntia Lima. A cerimônia de premiação do festival será realizada no sábado (19), das 17h às 20h, no Cine Brasília.

Após a entrega dos prêmios, haverá exibição da comédia Verão de lata, do cineasta brasiliense Santiago Dellape. No filme, inspirado no caso que chocou o Rio de Janeiro em 1987, os policiais Brasa (Babu Santana) e Sandra (Samantha Schmütz), de personalidades extremamente opostas, precisarão se unir após milhares de latas cheias de maconha surgirem nas margens das praias brasileiras. Ambas atividades são abertas ao público.

Vozes do festival


À medida que o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro se aproxima do encerramento, o evento ainda reserva estreias para quem o vivencia pela primeira vez. É o caso da jornalista Cecília Peres, de 20 anos, que comentou sobre a experiência. “É a minha primeira vez no Cine Brasília e no evento, e está sendo incrível. Ter esse acesso ao elenco e viver essa conexão de perto fortalece ainda mais a lógica do cinema e a mensagem que eles querem passar”.

Além do impacto de vivenciar o festival pela primeira vez, Cecília destacou o carinho pela produção nacional. “Eu amo o audiovisual brasileiro e queria que fosse mais valorizado. O cinema é extraordinário, ele tem o poder de traduzir realidades e nos tirar da zona de conforto ao apresentar o olhar do outro. Estar aqui hoje é muito importante para mim”, declarou.

A paixão pela sétima arte mobiliza moradores de diversas regiões do Distrito Federal. Frequentador assíduo do evento, o consultor Diogo Carvalho, de 41 anos, ressaltou sua relação com a celebração do cinema na capital. “Eu amo cinema e frequento sempre o Festival de Brasília, é um dos eventos na cidade de que mais gosto. Tento sempre vir para assistir nem que seja a um filme, e nesta edição já acompanhei desde a abertura, com A pele morta, até o documentário O adeus Brasília”, explicou.

Ao lado do namorado, Diogo, com quem compartilha a paixão pelo cinema, a professora Linda Kelly, de 37 anos, reforça o papel fundamental do evento na valorização do audiovisual nacional. “É o momento de divulgar mais a nossa cultura brasileira. Os filmes são sempre muito interessantes e esse tipo de evento tem mesmo que continuar rolando”, elogiou.

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JH
postado em 18/09/2026 22:44 / atualizado em 18/09/2026 22:44
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