
Antes da exibição do longa-metragem Se eu fosse vivo… vivia no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, o cineasta André Novais Oliveira declarou: “É onde eu queria estar com o filme”. No Cine Brasília, os ingressos para a sexta noite de Mostra Competitiva Nacional, nesta quinta-feira (17/9), estavam esgotados para a exibição da produção mineira, que sucedeu o curta Tiró e a onça (SP), de Wera Poty.
O longa de ficção acompanha cinco décadas de vida compartilhada de Gilberto e Jacira, um casal carismático e carinhoso que se conhece em Contagem, Minas Gerais, na década de 1970. No entanto, a dinâmica muda quando ela é internada e ele passa a vivenciar situações perturbadoras e fora do comum. Segundo André, a trama teve como inspiração o luto que viveu após a morte da mãe, Maria José Novais Oliveira, que faleceu em 2018.
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“É um filme inspirado tanto nela, quanto no meu pai, que interpreta o personagem principal. Então foi uma construção que surgiu a partir da minha própria realidade. O filme se passa em Contagem, onde a gente morou a vida toda, então tem tudo a ver com a nossa história”, detalhou o diretor. A sessão foi dedicada à Maria José.
Protagonista e pai do cineasta, Norberto Novais Oliveira comentou a colaboração que teve na construção de Jacira, inspirada na esposa falecida. “A Zezé foi uma mulher que não tem outra igual. Não só como companheira, mas também como mãe e amiga”, afirmou o ator. Na ficção, ela é interpretada pela estreante Conceição Evaristo.
“Foi um prazer enorme contracenar com uma mulher da grandeza dela. Chega fiquei nervoso”, riu Norberto. Em 2016, o ator esteve presente no Festival de Brasília com o filme Ela volta na quinta, também dirigido pelo filho. Se eu fosse vivo… vivia marca o quarto longa de André — todos exibidos na sala do Cine Brasília.
Ainda nesta quinta (17), foi exibido o curta Tiró e a onça (SP), de Wera Poty. A obra híbrida retrata um ancião indígena que relembra uma história da juventude e, anos depois, moradores de sua aldeia decidem recriar tal acontecimento.
A Mostra Nacional Competitiva encerra nesta sexta-feira (18), com a exibição dos curtas-metragem Poronga (RO), de Rafael Rogante, e Banho choque (PE), de Cínica Lima. Sabes de mim, agora esqueça, filme representante do Distrito Federal, é o longa da noite. Os vencedores do Festival serão anunciados no sábado (19), na cerimônia de premiação.
Protesto
Durante a apresentação do longa ao público, o produtor Thiago Macêdo Correia agradeceu a “mobilização de quem fez esse festival acontecer”. O público respondeu com coro de “Fora, Celina!”, em referência às incertezas que envolveram a realização da 59ª edição do evento.
*Estagiária sob supervisão de Ronayre Nunes
Diversão e Arte
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