Festival de Cinema

Daniel Nolasco retrata vivências LGBT no interior em ‘Pequenas tragédias’

Daniel Nolasco, representante do cinema queer do Centro-Oeste, entra na mostra competitiva do Festival de Cinema com o longa Pequenas tragédias, detido nas consequências da homofobia estrutural

Visibilidade é a palavra associada ao cinema do goiano Daniel Nolasco que, há exato ano, encerrava as filmagens do longa Pequenas tragédias, titulo associado aos longas anteriores dele, entre os quais Apenas coisas boas e Vento seco. Pequenas tragédias é o segundo filme da leva de 2026 a disputar os prêmios Candango, com a exibição, a partir de hoje, no Cine Brasília. "Brasília é muito próxima de Goiânia, que é onde está a nossa produtora e onde há muita gente da equipe do filme. Acho que vai ter muita gente que participou do Pequenas tragédias que vai conseguir estar presente na sessão do Festival de Brasília, e isso tornará tudo bastante especial. A gente tem algumas estreias em outros festivais, mas que ainda não podem ser divulgadas", conta o diretor, em entrevista ao Correio.

O novo filme, que trata de questões e círculos muito íntimos do cineasta, segue a linguagem documental dos anteriores Paulistas e Mr. Leather. "É um filme, de certa forma, que reflete em torno de violência dos vários tipos que acontecem com as pessoas LGBTs. Num lugar como Catalão existe homofobia estrutural. Pensamos muito sobre como filmar violência e, apesar disso, é um filme que também traz muito humor. Apostamos numa pegada de comédia também bastante presente. Há situações amorosas, e o filme tem também drama", conta Daniel Nolasco.

Numa corrente de filmes que dão continuidade a pioneiros do cinema LGBT como Djalma Limongi Batista, Nolasco atenta para o interesse que ele traz por temas e personagens interioranos. "O filme é, principalmente, sobre Catalão e procura investigar um pouco porque pessoas LGBTs, queer, migram de cidades pequenas para centros urbanos", comenta. Um montante de R$ 700 mil foi o orçamento empregado no longa. Tudo foi viabilizado pela Lei Paulo Gustavo e por linha de edital destinado a documentários. A parte de finalização veio por meio de coprodução com a Alemanha e houve ainda um prêmio (em dividendos) saído do Mafiz (Malaga Festival Industry Zone, área de mercado com estímulo a filmes ibero-americanos), no Festival de Málaga, sem contar os dividendos de prévias vendas internacionais. 

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