Artes cênicas

Mistura de tradições é marca do espetáculo As cores da América Latina

Espetáculo da Panorando Cia. bebe em manifestações populares da América Latina para criar espetáculo cheio de referências

Uma mistura de dança, teatro e referências de diversas manifestações culturais atravessa o espetáculo As cores da América Latina, em cartaz até domingo na Caixa Cultural. Encenada pela manauara Panorando Cia., a peça nasceu em 2023 da vontade do grupo de desenvolver uma obra  que integrasse aspectos da Fiesta de la Tirana (Chile), da Huaconada (Peru) e do Cavalo-Marinho (Brasil) em um mosaico cultural pensado para celebrar a vida e ocupar lugares não convencionais a partir da narrativa de preservação das tradições culturais.  

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A intenção era colocar no palco uma história com claras referências às festas populares, apontando as relações em comum entre as manifestações. "Não para reproduzi-las em cena, mas para criar algo definitivamente novo, outra coisa inspirada nessas manifestações. Então a gente fez um levantamento dessas características e definiu uma dramaturgia", explica Fábio Moura, que dirige o espetáculo com Talita Menezes. 

As cores da América Latina conta a história do último Fofão, uma tradição do carnaval de São Luís, de uma forma cênica e coreografada, sempre com o cuidado de manter clara a relação entre dança e teatro. "Contamos a história do Fofão como uma menção ao resgate sobre as tradições na América Latina", avisa Moura. Durante uma visita a São Luís (MA), enquanto procurava personagens mascarados para a peça, a companhia se deparou  com essa figura tradicional do carnaval maranhense. "É uma figura meio enigmática, que possui várias faces e dá uma margem pra gente brincar e entrar em características que são a base do espetáculo", explica o diretor. 

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O figurino do personagem, Moura foi buscar no Mateus do Cavalo Marinho, personagem central da brincadeira. "A gente traça alguns paralelos entre as representações que estão presentes", avisa. "A Huaconada é uma festa que acontece pelas ruas nos andes peruanos na qual se usa chicotes, então temos uma cena com chicote que denuncia uma espécie de controle social, essa pretensão de ordem sobre uma existência que está sendo colocada em cena", conta. 

A Festa de la Tirana, vinda do norte do Chile e criada para homenagear a Virgen del Carmen, traz para o palco uma reflexão sobre a fé. Preces são entoadas para chamar divindades dispostas a ajudar numa situação. "Assim conseguimos fazer essas aproximações com algumas características somando na narrativa o que a gente queria como plano geral do espetáculo", garante o diretor. Para completar a pequena temporada, a companhia realiza, amanhã, duas oficinas abertas ao público, sendo uma para a confecção de máscaras a partir do reúso de materiais e outra voltada para o corpo e a presença cênica.

Serviço

As cores da América Latina

 Hoje e amanhã, às 20h, e domingo, às 19h, no Teatro da Caixa. (Caixa Cultural Brasília, Quadra 4 Lotes 3/4). Ingressos: R$ 30 e R$ 15 (meia)

 

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