Crônica

Somos todos Centro-Oeste!

A frase que mais ouvi na temporada sul-mato-grossense foi essa - "Campo Grande é uma capital com jeito de cidade do interior"

Das capitais do Centro-Oeste, obviamente, tenho mais intimidade com Goiânia, nossa vizinha onde se come bem e se conversa muito. Também já fui a Cuiabá, onde o calor humano é proporcional à temperatura ambiente. Agora completei o álbum, com alguns dias em Campo Grande, a Cidade Morena no Mato Grosso do Sul. E vou dizer uma coisa — voltei com um sentimento maior de pertencer a essa região seca, com variação enorme de frio e calor no mesmo dia, mas com muitos pontos em comum.

A frase que mais ouvi na temporada sul-mato-grossense foi essa - "Campo Grande é uma capital com jeito de cidade do interior". Acho que os motoristas de Uber e garçons estão certos. A cidade está perto de um milhão de habitantes, mas guarda a calma de um lugar bem menor. Para quem sai de Brasília, o trânsito, por exemplo, parece tranquilo, mas os "locais" reclamam dos horários de pico. Avenidas largas, com várias faixas em cada sentido, ajudam na fluidez dos carros. Aliás, como em Brasília, muitos carros.

A Cidade Morena também é uma cidade muito verde, como o Plano Piloto. As principais avenidas têm canteiro central arborizado. Há parques por todo o lado, onde as capivaras chegam pertinho da gente. E um domingo no parque pode ser um momento de silêncio. Experimentei fazer da mochila travesseiro, deitar na grama e sentir o tempo passar lentamente, ouvindo pássaros e pessoas ao longe. Relaxante.

Para quem gosta de menos silêncio, a cultura sertaneja está lá de maneira explícita. Pode ser nos artefatos vendidos no Mercado Municipal, com muito couro. O símbolo do gado, aliás, está presente em vários pontos da cidade. E passei por uma situação curiosa. Em meio a uma inocente praça de alimentação de shopping, de repente, ecoa um cantor sertanejo, que parecia ter um microfone embutido. Disseram que era uma declaração de amor a uma moça, e o cantor parecia conhecido daquela multidão. Enfim, um show espontâneo em meio ao corre-corre da rotina.

Fiquei bem impressionado de como Brasília é benquista por lá. Vários moradores abriam o sorriso quando eu falava de onde era. Escaparam das perguntas estereotipadas — "Você encontra o presidente todo dia?" — para buscar por informações turísticas ou falar das impressões que tinham. Só um apelou para os chavões da política, mas já comecei a desarmá-lo e, no fim do papo, ele parece que entendeu que a política está na cidade, mas a cidade não é a política.

A menos de uma semana da abertura da Copa, a decoração verde e amarela ainda estava tímida, assim como os "varais" na rua ofertando camisetas. Mas nada como o início dos jogos da Seleção Brasileira para mobilizar os moradores. Sobre as eleições, uma crítica aqui, um elogio acolá, mas ainda sem os arroubos característicos do período. Enfim, vamos caminhando juntos nesse Centro-Oeste de Cerrado e Pantanal, de rock e sertanejo, pelas paixões que vão movimentar 2026 de agora até o fim do ano.

 


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