Desestatização

Guedes admite que programa de privatizações do governo não avançou

Em eventos virtuais da Firjan e do ICC, ministro da Economia afirma que houve problemas políticos, inclusive, dentro da equipe ministerial, que impediram a venda das estatais

Simone Kafruni
postado em 23/11/2020 12:31 / atualizado em 23/11/2020 12:32
 (crédito:  Ministério da Economia)
(crédito: Ministério da Economia)

O ministro da Economia, Paulo Guedes, admitiu que o programa de privatizações do governo federal não avançou. Segundo ele, problemas políticos impediram as desestatizações. “As privatizações foram barradas por algum acordo político do centro-esquerda e de alguns ministros também, que tinham estatais sob o ministério”, ressaltou, ao participar de dois eventos virtuais na manhã desta segunda-feira (23/11).

“Não entenderam a importância das privatizações para derrubar a relação dívida/PIB (Produto Interno Bruto). Precisamos vender as estatais que perderam a capacidade de fazer investimentos. Um exemplo típico são as companhias de saneamento. Havia maior cobrança pelo serviço, havia aumento de salário dos funcionários, só que 100 milhões de brasileiros continuam sem esgoto e 36 milhões, sem água, sem poder lavar as mãos. Isso convenceu todo mundo sobre a importância das privatizações e acho que vamos andar”, disse.

Guedes participou de um webinar da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) sobre a desestatização da Cedae, companhia de saneamento do Rio, e, em seguida, do 3º Encontro O Brasil Quer Mais, da Câmara de Comércio Internacional (ICC). Em ambos, comentou que há uma “narrativa” para desmerecer as ações do governo.

“Existem muitas narrativas, mas os fatos são que todas as regiões e setores estão criando empregos. A economia voltou em V como esperávamos. E a queda no PIB será menos da metade dos 9,5% estimados no início da crise da covid”, afirmou.

Segundo Guedes, há possibilidade de o Brasil chegar ao fim do ano perdendo menos empregos do que no período da recessão, entre 2015 e 2016. “Geramos 500 mil empregos em dois meses. Foram 250 mil em julho e 313 mil, em setembro. Eu nem acredito que vá continuar neste ritmo tão acelerado. Mas vamos perder apenas 300 mil no ano da pandemia, bem menos do que durante a recessão, quando foram 2,6 milhões de postos fechados”, enumerou.

Erros

Para Guedes, os números mostram que a equipe econômica obteve alguns êxitos. “Porém, temos que admitir os erros. O programa do crédito não funcionou no início, só funcionou depois. Agora, não existe isso de o governo não ter um plano”, comentou. “Desde o início, dissemos que o governo gasta muito e gasta mal e atacamos três frentes de gastos. Com a reforma da Previdência, vamos derrubar R$ 800 bilhões em 10 anos com o corte de privilégios”, disse.

As outras duas frentes foram redução de juros, com economia de R$ 400 bilhões em quatro anos (R$ 80 bilhões, em 2019; R$ 120 bilhões, em 2020; R$ 100 bilhões, em 2021; e R$ 100 bilhões, em 2022). “O terceiro grande gastos é com salários do funcionalismo. É o primeiro governo que não deu aumento três anos seguidos. Conseguimos suspender R$ 98 bilhões em estados e municípios e mais R$ 60 bilhões no governo federal”, afirmou.

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