CAMPANHA ELEITORAL

Para Paulo Guedes, Bolsonaro vencerá as eleições presidenciais

Em conversa com think tank norte-americano, o ministro da Economia disse que Bolsonaro vencerá porque a diferença nas pesquisas está "covergindo para a realidade"

Rosana Hessel
postado em 19/04/2022 20:08 / atualizado em 19/04/2022 20:24
 (crédito: Edu Andrade/Ascom/ME)
(crédito: Edu Andrade/Ascom/ME)

Em pleno clima de campanha eleitoral em viagem nos Estados Unidos, o ministro da Economia, Paulo Guedes, garantiu que o presidente Jair Bolsonaro (PL) vai ganhar as eleições em outubro. Ao ser questionado sobre o assunto, durante evento virtual organizado pelo Center for Strategic & International Studies (CSIS), think tank norte-americano, o chefe da equipe econômica minimizou as pesquisas de opinião que dão vantagem para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e afirmou que a diferença entre os dois está encolhendo e a realidade está se impondo.

“O presidente Bolsonaro viaja pelo país e é recebido 'por centenas de milhões' de pessoas. E os outros candidatos podem andar nas ruas?”, disse Guedes, nesta terça-feira (19/4), em Washington, onde tem extensa agenda de encontros com investidores em paralelo à reunião anual de primavera (no Hemisfério Norte) do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial. O ministro destacou a redução da vantagem de Lula sobre Bolsonaro nas pesquisas ao longo dos últimos meses e assegurou que essa diferença “está convergindo para a realidade”.

Durante a conversa de aproximadamente 30 minutos transmitida nas redes do CSIS, o ministro voltou a afirmar que o atual governo está promovendo uma transição de uma economia dirigida pelo Estado para uma economia de mercado, “construindo a prosperidade”. Contudo, ele evitou falar dos números atuais que mostram uma nova tendência de estagnação em pleno ano eleitoral, com inflação e juros de dois dígitos, desemprego elevado, famílias endividadas e renda encolhendo.

Pelas novas projeções do FMI, o Produto Interno Bruto brasileiro deverá crescer 0,8% em vez de 0,3% conforme o projetado em janeiro, em grande parte, devido à alta dos preços das commodities devido à guerra na Ucrânia, uma vez que o Brasil é um grande exportador de alimentos.

Ao comentar sobre inflação, Guedes reconheceu que o fenômeno é global e destacou que, como o Banco Central brasileiro iniciou o ciclo de aperto monetário antes, e, portanto, na avaliação dele, “o Brasil vai controlar a inflação antes das economias desenvolvidas”.

Ruídos e Rússia

O ministro ainda reforçou durante o discurso que há muitos ruídos na democracia e desinformação sobre o governo brasileiro, que há empresas estrangeiras assinando contratos de concessões “toda semana” no Brasil. “ Temos US$ 30 bilhões arrecadados em bônus de assinatura (em infraestrutura) e outros US$ 200 bilhões em investimentos comprometidos para os próximos 10 a 12 anos”, afirmou.

O chefe da equipe econômica evitou criticar a Rússia e admitiu que, apesar de o Brasil ter sido o único país do Brics, grupo dos emergentes integrados por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, a condenar a invasão da Ucrânia no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), o governo brasileiro não concorda na expulsão de Moscou do FMI, quando foi questionado sobre o assunto. "Pelas regras do Fundo, um país membro não pode ser expulso", disse.

Guedes ainda voltou a afirmar que o momento atual é estratégico para o Brasil entrar na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o chamado clube dos ricos, e para o avanço no acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul. “A hora perfeita é agora, porque o Brasil é um player chave para a agenda de segurança energética e alimentar da Europa”, afirmou. “Se não fizermos nada agora, vamos ser empurrados para outra direção”, ameaçou Guedes, após citar que várias economias europeias, como França e Bélgica, são democracias “com histórias tristes”, porque estão “afundando”. Enquanto isso, o Brasil busca ampliar alianças com outros parceiros, como os países do Oriente Médio e os integrantes do Emerging 7 (E7), países emergentes do Brics mais Indonésia e México.

Gafes

Ao citar o grupo dos emergentes do E7, Guedes fez uma comparação equivocada. “Essas economias já possuem PIB maior do que o G7 (grupo das economias mais desenvolvidas do planeta - Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido”, afirmou Guedes, sem ficar vermelho com o erro de cálculo.


Conforme dados do FMI, considerando o resultado do PIB desses países de 2021 em dólares, a soma do PIB do E7 é apenas 66% do registrado pelo G7: US$ 26,7 trilhões contra US$ 40,4 trilhões.

Outra gafe de cálculo de Guedes ocorreu quando foi questionado sobre o número de japoneses que vivem no Brasil e ele respondeu “vários milhões”. Conforme dados divulgados até pela CIA, em fevereiro de 2019, a população de japoneses e descendentes brasileiros somava 1,6 milhão de pessoas.

Agenda cheia

Mais cedo, Guedes participou de um encontro com representantes empresariais norte-americanos que têm interesse comercial e de investimentos no Brasil. A reunião foi realizada na sede do Conselho Empresarial Brasil-Estados Unidos (Cebeu), em Washington. Na ocasião, o ministro apresentou dados atualizados sobre o processo de recuperação e falou sobre a agenda de reformas estruturais no Brasil, de acordo com informações da assessoria de imprensa da pasta.

“Guedes recordou as medidas aplicadas para proteger os mais vulneráveis, com programas de assistência para o emprego e renda temporária adicional. Ele também ressaltou que o avanço do programa de leilões e concessões em infraestrutura vem atraindo investimentos privados ao país”, informou a nota da pasta.


“Os participantes norte-americanos confirmaram o engajamento e a disposição de aumentar os investimentos no Brasil, levando em conta as melhorias no ambiente de negócios promovidas pelo governo federal", diz a nota. Depois do evento no Conselho Empresarial Brasil-Estados Unidos, o ministro almoçou com o diretor-executivo do FMI Afonso Bevilaqua.

O ministro ainda teve um encontro com a ministra de Finanças da Indonésia, Sri Mulyani. O Brasil negocia acordos de livre comércio com a Indonésia e o Vietnã, que podem ter impacto de R$ 25,7 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro até 2040, segundo estudos da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Economia.

Na quarta-feira (20/4), está prevista a reunião do G20, grupo que reúne as 19 maiores economias do mundo mais a União Europeia. Na quinta-feira (21/4) será realizada a reunião ministerial de FMI e Banco Mundial. Além dos compromissos com essas duas instituições, a agenda do ministro Paulo Guedes “inclui encontros com representantes do setor privado, para mostrar dados sobre a recuperação da economia brasileira, o processo de acessão do Brasil à OCDE e o andamento da agenda de reformas estruturais”, segundo a nota da Economia.

“O ministro Guedes também está apresentando informações sobre as melhorias no ambiente de negócios e mostrando as oportunidades de investimento no país”, acrescentou o comunicado. 

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