OPERAÇÃO COMPLIANCE

PF apreende R$ 1,6 milhão em espécie na residência de ex-sócio de Vorcaro

Esquema investigado envolve emissão de títulos falsos e prejuízo estimado em R$ 12 bilhões

A Polícia Federal prendeu, nesta terça-feira (18/11), o empresário Augusto Ferreira Lima, ex-CEO do Banco Master e criador do CredCesta, e apreendeu R$ 1,6 milhão em espécie na residência dele, localizada em Brasília, além de carros de luxo, obras de arte e relógios. 

Ação integra a Operação Compliance, que cumpriu mandados envolvendo a emissão de créditos falsos por instituições que integram o Sistema Financeiro Nacional (SFN). Ao todo, foram executadas quatro prisões preventivas e duas temporárias.

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Baiano de Salvador, Augusto Lima, de 46 anos, construiu trajetória no setor financeiro. Ele iniciou a carreira vendendo velas e abadás, ingressou no mercado de crédito em 2018 e, um ano depois, tornou-se sócio de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Foi o responsável por criar o CredCesta, cartão de crédito consignado usado por servidores públicos e funcionários de empresas privadas, produto que se tornou um dos pilares do Master. Além de acesso ao meio político baiano, o empresário se casou com Flávia Peres, ex-ministra e ex-deputada federal, e juntos, fundaram a ONG Terra Firme, voltada para ações sociais.

Neste ano, Augusto deixou a sociedade no Master e assumiu o controle do antigo banco Voiter, renomeado para Pleno, após dois financiamentos de capital na instituição, que somam R$160 milhões. Segundo a PF, ele teria atuado na estrutura da entidade e teria tido participação em manobras internas para ocultar irregularidades detectadas pelo Banco Central.

Além dele, a PF também prendeu Daniel Vorcaro e outros três diretores do banco. Vorcaro teria sido detido quando tentava sair do país em um avião particular com destino a Malta. À CNN, a defesa nega que se tratasse de fuga e afirma que o empresário viajaria para Dubai, onde se encontraria com compradores do Banco Master.

O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, revelou os números durante depoimento à CPI do Crime Organizado, no Senado. “Essa operação de hoje, a fraude é de R$ 12 bilhões. Não sei quanto que vamos conseguir bloquear. Sei que já apreendemos na residência de um investigado R$ 1,6 milhão em dinheiro”, disse.

Andrei defendeu ainda, que o combate ao crime organizado deve mirar a questão financeira. "O crime organizado tem que ser enfrentado com descapitalização, tirando poder econômico, e prendendo lideranças, retirando lideranças de circulação", disse.

A operação também atingiu o BRB (Banco de Brasília). Mandados de busca e apreensão foram cumpridos na casa do presidente do banco, Paulo Henrique Costa, afastado do cargo por decisão judicial. O diretor executivo financeiro, Dario Oswaldo Garcia Junior, também foi afastado por 60 dias.

https://www.correiobraziliense.com.br/webstories/2025/04/7121170-canal-do-correio-braziliense-no-whatsapp.html 

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