
O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino, afirmou que a liquidação do Will Bank, ligado ao Banco Master, poderia ampliar significativamente os prejuízos do Banco de Brasília (BRB), em razão do volume de ativos da fintech já incorporados ao balanço da instituição pública. A avaliação foi feita em depoimento à Polícia Federal, cujo sigilo foi levantado nesta semana por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo Aquino, o risco de perdas maiores levou o Banco Central a optar, inicialmente, pela adoção do Regime de Administração Especial Temporário (Raet) no Banco Master Múltiplo, controlador do Will Bank, em vez de decretar imediatamente a liquidação do banco digital. “Existem muitos ativos do Will dentro do balanço do BRB. A morte (do Will Bank), se não for possível resolver dentro do Raet, o prejuízo do BRB será maior”, afirmou.
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O Will Bank havia sido poupado da liquidação em novembro, quando o BC decretou a quebra do Banco Master e de outras empresas do grupo. À época, a avaliação da autoridade monetária era de que o banco digital ainda poderia ser vendido, o que não se concretizou. A instituição acabou liquidada no último dia 21.
Durante o depoimento, Aquino relatou que a situação operacional do Will Bank já apresentava dificuldades relevantes, especialmente em razão da crise de liquidez. Ele mencionou problemas no processamento de contas e pagamentos, o que exigia acompanhamento constante da supervisão para avaliar se o caixa da instituição conseguiria fechar.
Perfil dos clientes
O diretor destacou ainda que o perfil dos clientes do Will Bank, majoritariamente das classes C e D, pesou na decisão do BC. A avaliação interna era de que, em caso de liquidação imediata, haveria aumento da inadimplência nos cartões de crédito, o que poderia ampliar as perdas tanto para o banco quanto para instituições expostas aos seus ativos.
No mesmo depoimento, Aquino alertou que as perdas potenciais do BRB com a aquisição de ativos do Banco Master podem superar R$ 5 bilhões. O banco do Distrito Federal desembolsou R$ 12,2 bilhões por carteiras de crédito que, segundo o BC, eram fraudulentas, mas conseguiu substituir cerca de R$ 10 bilhões por outros ativos do grupo, que também apresentam risco elevado.
Ao decretar a liquidação extrajudicial do Banco Master, em 18 de novembro, o Banco Central acusou a instituição de fraudar carteiras de crédito em mais de R$ 11 bilhões. Já o Raet é um instrumento de intervenção que prevê a substituição da diretoria por um conselho gestor e a manutenção das operações, com o objetivo de reduzir impactos sobre o Sistema Financeiro Nacional (SFN).

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