Mercado de trabalho

Caged 2025: juro freia emprego formal

Balanço do Ministério do Trabalho e Emprego mostra ritmo mais lento na geração de vagas celetistas no ano passado

Comércio e setor de serviços sustentaram o crescimento da oferta de vagas formais de emprego em 2025  -  (crédito: Manuela Sá)
Comércio e setor de serviços sustentaram o crescimento da oferta de vagas formais de emprego em 2025 - (crédito: Manuela Sá)

Mesmo com a criação de 1,28 milhão de vagas de emprego com carteira assinada no ano passado, 2025 foi o ano em que menos vagas de trabalho formais foram criadas desde 2020, ano de pandemia de covid-19. Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de 2025, apresentados nesta quinta-feira (29/1), também mostraram uma queda de 23% em relação à geração de emprego em 2024, quando o país abriu cerca de 1,6 milhão de postos com carteira assinada.

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Perguntado por jornalistas sobre os resultados, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, vinculou o fato menos ao tarifaço de 50% nas exportações brasileiras para os Estados Unidos, por ordem do presidente Donald Trump, e mais à manutenção por muitos meses da taxa básica de juros (Selic) em 15%. Segundo Marinho, os juros altos fizeram mais mal à geração de empregos do que a sobretaxa norte-americana. "O tarifaço impactou, claro, mas o impacto dos juros foi maior que o do tarifaço. Do ponto de vista global da indústria, o efeito dos juros é mais danoso", explicou.

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Segundo Luiz Marinho, os efeitos do tarifaço tiveram mais repercussão em setores específicos da economia, como a produção de calçados e madeira. Ele ainda apontou que medidas de abertura de mercados e planos de apoio aos empresários atingidos pela política trumpista contribuíram para a contenção dos impactos sobre o mercado de trabalho.

Entre os estados, São Paulo liderou a geração de vagas no ano, com saldo de 311,2 mil postos formais, crescimento de 2,17%. Em seguida, aparecem Rio de Janeiro, com 100,9 mil vagas (2,60%); e Bahia, com 94,3 mil (4,41%). As maiores variações proporcionais foram registradas no Amapá (8,41%); na Paraíba (6,03%); e no Piauí (5,81%).

O setor de serviços concentrou o maior saldo positivo, com 758,3 mil vagas (3,29%), impulsionado, principalmente, por atividades de informação, comunicação e serviços financeiros, imobiliários, profissionais e administrativos, que criaram 318,4 mil postos. A área de administração pública, defesa, educação, saúde e serviços sociais respondeu por 194,9 mil novas vagas.

O comércio abriu 247 mil postos formais (2,3%), enquanto a indústria criou 144 mil vagas (1,6%), com destaque para a fabricação de produtos alimentícios (49 mil) e manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos (17 mil). A construção registrou saldo positivo de 87,8 mil vagas (3,1%), e a agropecuária, com 41,8 mil postos ( 2,3%).

Dezembro negativo

Apesar do resultado anual positivo, dezembro apresentou retração no emprego formal. O saldo do mês foi negativo em 618,1 mil postos, o que reduziu o desempenho acumulado do ano. A variação mensal foi de -1,26%, dentro do padrão histórico do período. As perdas ocorreram em todos os setores, com destaque para serviços (-280,8 mil), indústria (-135 mil), construção (-104 mil), comércio (-54,3 mil) e agropecuária (-43,8 mil).

O ministro do Trabalho cobrou do Congresso Nacional que seja votada a lei complementar que regulamenta o trabalho de entregadores e motoristas de aplicativos. O tema, tido como crucial para o governo, é debatido em um grupo de trabalho com propostas de aprimoramento da relação entre os trabalhadores e as plataformas de aplicativos. "A gente espera um Congresso mais produtivo. Temos pouco tempo neste ano. O que o presidente (da Câmara) Hugo Motta se compometeu foi de pautar o PL dos Aplicativos. É um compromisso dele", afirmou Luiz Marinho.

O ministro — que participa do grupo de trabalho que reúne mais quatro ministérios, associações de trabalhadores de aplicativo, e de empresas de transporte e entrega por aplicativo — também elogiou a relatoria do tema ter ficado com o deputado federal Augusto Coutinho (Republicanos/CE). O relatório do parlamentar, para Marinho, foi "bastante equilibrado". O parecer do grupo de trabalho deve ser apresentado, hoje, à Câmara.

"O mais importante é que o Congresso tenha consciência da necessidade de votar o relatório. O pior dos mundos é continuar do jeito que está, com insegurança jurídica que persiste na sociedade das relações entre trabalhadores e empregadores", acrescentou o ministro.

Escala 6x1

O ministro Marinho também defendeu celeridade na votação do fim da escala de trabalho 6x1 (seis dias de trabalho para um de folga remunerada), tema que perpassa questões trabalhistas ao abranger, sobretudo, a saúde do trabalhador. "Trabalhar seis dias na semana e ter apenas um de folga é muito pouco para os afazeres da família, do processo educacional, do lazer, do descanso físico e mental", pontuou. Para ele, a discussão também provocará reações dos empresários.

"Hoje, trabalhamos 44 horas semanais, e eu sei que o empresariado resiste. É natural que resista, cada um olha a partir da cadeira que senta, onde o pé pisa. O que não é natural é (que esse tema) continue sem ser tratado", avaliou o ministro.

*Estagiário sob a supervisão de Vinicius Doria

 

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postado em 30/01/2026 03:55
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