Em meio à crise do Banco Master, o Banco Central (BC) explicou, em nota divulgada nesta sexta-feira (23/1), que, por meio da sua área de supervisão, identificou graves inconsistências em operações de cessão de carteiras de crédito do Banco Master para o Banco de Brasília (BRB). Sob o comando do diretor Ailton de Aquino Santos, investigações técnicas comprovaram a “insubsistência” dos ativos que compunham essas carteiras, o que significa que os créditos vendidos não possuíam lastro real ou validade.
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Diante da gravidade dos ilícitos perpetrados, o diretor submeteu à Diretoria Colegiada do BC a proposta de liquidação extrajudicial de todas as instituições do Conglomerado Master. A identificação das irregularidades desencadeou uma série de medidas rigorosas por parte da autoridade monetária.
“Foi igualmente da área chefiada pelo Diretor Ailton de Aquino a iniciativa de promover a comunicação dos ilícitos criminais ao Ministério Público Federal, acompanhada de documentação comprobatória e criteriosas análises técnicas”, informou a autoridade monetária na nota.
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Para evitar que novas operações comprometessem a liquidez do BRB, a Supervisão do BC aplicou uma medida prudencial preventiva contra o banco brasiliense. O Banco Central reiterou que o acompanhamento das condições de liquidez e de aquisição de ativos entre bancos é um dever legal para assegurar a estabilidade do Sistema Financeiro Nacional e proteger depositantes e investidores.
A nota da autarquia estabelece uma linha clara de responsabilidade técnica e jurídica. Segundo a legislação vigente, cabe exclusivamente a cada instituição financeira — neste caso, o BRB — a responsabilidade integral pela análise da qualidade dos créditos que decide comprar no mercado, devendo manter controles internos para gerenciar tais riscos.
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Além disso, o diretor Ailton afirmou expressamente que jamais recomendou a aquisição de carteiras fraudadas. O BC ressalta que a área de Supervisão da instituição monitora, de forma rotineira, riscos e busca soluções para eventuais problemas de liquidez que venham a ser identificados em toda e qualquer instituição financeira.
“Por fim, imbuído de seu compromisso com a transparência e cioso de suas responsabilidades como servidor público e como cidadão, o Diretor Ailton de Aquino coloca à disposição do Ministério Público Federal e da Polícia Federal suas informações bancárias, fiscais e dos registros das conversas que realizou com o ex-Presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, renunciando, para essa finalidade, ao sigilo sobre elas incidente”, concluiu o texto.
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