Política Monetária

Copom prevê flexibilização dos juros na próxima reunião

Ata cita "cenário favorável" ao início do ciclo de queda da Selic "com restrição adequada" para levar inflação ao centro da meta

Sinalização do BC de que a Selic deve começar a cair vem acompanhada da ressalva de que o objetivo é levar a inflação à meta de 3% ao ano   -  (crédito:  Ed Alves CB/DA Press)
Sinalização do BC de que a Selic deve começar a cair vem acompanhada da ressalva de que o objetivo é levar a inflação à meta de 3% ao ano - (crédito: Ed Alves CB/DA Press)

As chances de um possível corte de juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para 17 e 18 de março, estão cada vez maiores, de acordo com o próprio Banco Central. A ata do último encontro do comitê, divulgada na manhã desta terça-feira (3/2), informa que os diretores reforçaram o comunicado publicado na semana anterior, que adiantou a possibilidade de uma redução da taxa Selic no mês que vem.

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"O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta", destaca o comitê. Na última reunião, o Copom manteve pela quinta vez consecutiva a taxa básica de juros em 15% ao ano, o maior patamar nominal da Selic na série histórica desde junho de 2006.

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De acordo com a ata, os integrantes do comitê entendem que a decisão reforça a estratégia de convergência da inflação à meta de 3% ao longo de um "horizonte relevante". "Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego", ressalta.

Mesmo sem deixar de lado a cautela que tem pregado nos últimos comunicados, o Copom considerou adequada a sinalização para o início do ciclo de cortes da Selic já no próximo encontro, após a "análise de um amplo conjunto de informações, incluindo a dinâmica recente da inflação e os sinais mais claros de transmissão da política monetária".

Apesar da indicação do início do ciclo de cortes, ainda resta uma dúvida entre os agentes do mercado financeiro sobre o tamanho da redução e por quanto tempo ela deve se dar. De acordo com o último relatório Focus, divulgado pelo Banco Central na segunda-feira, a mediana das previsões para a Selic no fim do ano é de 12,25%, o que significaria uma redução de 2,75% até dezembro. Já para 2027, a estimativa é que a taxa nominal chegue a 10,5%, em se confirmando a tendência atual.

Expectativa do mercado

Para a economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Natalie Victal, a ata do Copom ainda deixa em aberto o ritmo e o tamanho do ciclo, mas ressalta que a avaliação da necessidade de uma Selic restritiva ainda é unânime, o que, segundo ela, é um limitador. "O BC optou por não dar sinais mais fortes de que a discussão de (corte de) 0,25% está na mesa. Ademais, seguimos com a visão de que o fluxo de dados ao longo de fevereiro tende a fortalecer o debate de aceleração em algum momento do ciclo", considera a especialista.

O economista do Banco Daycoval Julio Barros também acredita em um corte de 0,25% na próxima reunião. Ele ressalta que o próprio comunicado publicado na semana passada pelo BC deixa em aberto a possibilidade de queda e também esclarece que o ritmo e o tamanho do ciclo ainda dependem dos dados que serão incorporados até a próxima reunião pelos diretores.

"Então, não está descartado um começo de ciclo mais intenso, mas, por ora, dado que a gente ainda tem as expectativas desancoradas — a inflação, em especial a de serviços, bem acima da meta; o mercado de trabalho ainda tem sinais de pressão, em especial na parte de rendimentos —, a gente entende que começar com 0,25% faz sentido. Mas acho que os próximos dados vão ser fundamentais para esse ajuste fino", pondera o economista.

Para o conselheiro da Associação Nacional das Corretoras de Valores (Ancord), Pablo Spyer, a ata reforça que o ritmo do corte será "gradual, cauteloso e altamente dependente dos dados". "Ao afirmar que a 'magnitude e a duração do ciclo de distensão serão determinadas ao longo do tempo', o Copom afasta qualquer leitura de cortes automáticos ou acelerados. O Banco Central quer evidências adicionais de ancoragem das expectativas e maior moderação do mercado de trabalho antes de avançar de forma mais intensa", avalia o especialista.

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postado em 04/02/2026 03:57
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