MERCADOS

Mercado calmo reduz projeção de inflação para 2026, aponta Boletim Focus

Previsão é de queda da inflação, dos juros e da dívida líquida do setor público. PIB deve crescer ligeiramente, mas a previsão de investimento direto é de redução em relação a 2025

A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação no país, foi revisada para baixo. A estimativa para o ano passou de 4% para 3,99%, segundo o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (2/2), pelo Banco Central.

A redução ocorre pela quarta semana consecutiva e mantém a projeção dos agentes de mercado dentro do intervalo da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que estabelece inflação de 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%. Para 2027, a expectativa permanece em 3,8%. Para 2028 e 2029, o mercado projeta variação de 3,5% ao ano, no biênio.

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O relatório também aponta previsões de curto prazo para a inflação. Para este mês de fevereiro, a estimativa é de alta de 0,53%, seguida de variação de 0,34% em março. Já o IGP-M, conhecido como indexador dos aluguéis, teve projeção elevada de 3,87% para 3,92% no acumulado de 2026. No caso dos preços administrados, houve leve recuo, de 3,76% para 3,75%.

As expectativas para a atividade econômica permaneceram estáveis. O mercado manteve a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto em 1,8% para 2026, e em 2% para 2027. Em relação à política monetária, o Boletim Focus indica expectativa de queda gradual da taxa básica de juros ao longo de 2026. A projeção para a Selic é que a taxa básica de juros caia para 12,25% até o fim do ano. Para março, a estimativa é de 14,5%, sinalizando cortes — pelo Conselho de Política Monetária (Copom) — ao longo do período. Para o fim de 2027, o mercado projeta taxa de 10,5%.

No câmbio, a previsão para o dólar no encerramento de 2026 permaneceu em R$ 5,50. Para fevereiro, houve pequena revisão, de R$ 5,39 para R$ 5,38. A expectativa para o fim de 2027 também ficou em R$ 5,50.

Os dados fiscais, para os agentes consultados, apontam melhora na dívida pública. A projeção para a dívida líquida do setor público, em 2026, recuou de 70,36% para 70,32% do PIB. O déficit primário (receitas menos despesas, excluindo juros da dívida) foi mantido em -0,53% do PIB, assim como o resultado nominal (que inclui o pagamento de juros), estimado em -8,6%.

No setor externo, a aposta para o superávit da balança comercial, em 2026, permanece em US$ 67,65 bilhões. A projeção de investimento direto no país foi revisada para baixo, de US$ 74,85 bilhões para US$ 74,35 bilhões. O déficit em conta corrente, por sua vez, deve crescer ligeiramente, passando de US$ -67,8 bilhões para US$ -67,9 bilhões.

*Estagiário sob a supervisão de Vinicius Doria

 

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