
A Grupo Fictor protocolou, neste domingo (1º/2) pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo para a Fictor Holding e a Fictor Invest. A medida ocorre após a tentativa frustrada de aquisição do Banco Master, anunciada em novembro de 2025 e interrompida depois que o Banco Central do Brasil decretou a liquidação extrajudicial da instituição.
No pedido, o grupo afirma que a crise de liquidez é consequência direta da repercussão negativa associada ao seu nome após a negociação com o Master. Segundo a Fictor, a exposição midiática teria provocado um descompasso temporário nos fluxos operacionais e levado à rescisão de contratos com fornecedores, além de gerar um volume atípico de solicitações de retirada em contratos de Sociedade em Conta de Participação.
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A tentativa de compra do Banco Master previa um aporte imediato de R$ 3 bilhões para reforçar a estrutura de capital da instituição, mas foi suspensa após a liquidação determinada pela autoridade monetária em 18 de novembro. Um dia antes, conforme informado ao Judiciário, a Fictor diz ter recebido R$ 3 bilhões em aportes de sócios participantes. A partir dessa data, os pedidos de retirada somaram, até 31 de janeiro, cerca de 71,38% do montante inicialmente aportado.
O grupo relata ainda que, em dezembro, houve impacto direto no valor de mercado de companhias do conglomerado. As ações da Fictor Alimentos S.A., subsidiária listada na B3, teriam acumulado queda aproximada de 50% entre 17 de novembro e 1º de fevereiro, segundo a própria instituição.
A Fictor afirma que “ao longo do mês de dezembro de 2025, passou a ser alvo de intensa exposição negativa na imprensa”, com questionamentos sobre a consistência da operação anunciada e sobre o papel do grupo no contexto da crise do banco. De acordo com a holding, a repercussão levou parceiros, fornecedores, clientes e sócios a adotarem postura mais cautelosa, com pedidos de esclarecimentos sobre estrutura societária, beneficiários finais, diligências realizadas, mitigação de riscos e eventuais vínculos com instituições financeiras ou pessoas politicamente expostas.
Em nota, o Grupo Fictor informou que o pedido de recuperação judicial tem como objetivo “equilibrar a operação e assegurar o pagamento dos compromissos financeiros”, com foco nos sócios participantes, que representam a maioria dos credores. Segundo a empresa, o valor total dos compromissos é de aproximadamente R$ 4 bilhões, com intenção de quitação sem deságio.
A companhia solicitou tutela de urgência para suspender execuções e bloqueios por 180 dias, prazo previsto em lei para a negociação de um plano de recuperação. A Fictor afirma que a medida busca evitar “corridas individuais” que pressionem a liquidez e prejudiquem uma solução coletiva, preservando as operações e mais de 10 mil empregos diretos e indiretos.
O grupo sustenta que a crise de liquidez é “momentânea” e teve início após a liquidação do Banco Master, quando especulações de mercado e notícias negativas afetaram a reputação da holding. A empresa ressalta que, desde o início das operações, não havia registrado atrasos nos pagamentos.
Ainda segundo a nota, a Fictor implementou um plano de reestruturação antes do pedido de recuperação judicial, com redução de estrutura física e do quadro de colaboradores, de forma a proteger direitos trabalhistas e agilizar indenizações. Fundado em 2007, o Grupo Fictor atua nos setores de alimentos, infraestrutura, energia, real estate e soluções de pagamento, com presença no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa.
O advogado Carlos Deneszczuk, do escritório DASA Advogados, que coordena o pedido, afirmou que os ativos operacionais seguem funcionando e que o pedido não inclui as subsidiárias. De acordo com ele, a principal empresa industrial do grupo, a Fictor Alimentos S.A., mantém unidades em Minas Gerais e no Rio de Janeiro e uma cadeia produtiva relevante, enquanto a reestruturação financeira é conduzida no nível corporativo.

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