
O diretor de Fiscalização do Banco Central (BC), Ailton Aquino, afirmou em depoimento à Polícia Federal (PF) que só teve “certeza” das ilegalidades envolvendo carteiras bilionárias do Banco Master, incluindo a inexistência das operações financeiras atribuídas à empresa Tirreno, em junho de 2025, após uma reunião com representantes de instituições financeiras de pequeno porte.
Segundo ele, foi nesse encontro que inconsistências técnicas passaram a ficar evidentes. Aquino disse, ainda, que o ponto de partida foi a divergência entre versões apresentadas no processo. De um lado, um relatório técnico indicava que não havia movimentação financeira da empresa, o que explicaria a ausência de pagamentos relacionados aos créditos.
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De outro, o controlador do Banco Master sustentava que os extratos apresentados eram verdadeiros. Em sentido oposto, a direção do Banco de Brasília (BRB) classificava os documentos como “uma ficção”, afirmando que se tratavam de lançamentos meramente contábeis, sem lastro em transferências reais.
“Quando foi que nós decidimos, de fato, fazer a comunicação e tivemos a certeza da inexistência? Foi quando fizemos uma reunião”, disse Aquino, sem esclarecer por que o esquema passou despercebido pela autoridade monetária antes e por vários meses depois de o BRB adquirir ativos do banco, em março de 2025.
O diretor relatou que, durante o encontro, chamou a atenção o porte reduzido das empresas envolvidas e o desconhecimento generalizado sobre a Tirreno. “A Cartos é uma empresa pequena, a Tirreno era uma empresa desconhecida”, afirmou. Segundo ele, o único nome apresentado como responsável pelas operações foi o de André Felipe de Oliveira Seixas Maia, sócio da Tirreno, que passou a ser questionado sobre o volume de créditos gerados.
Aquino contou que, ao longo de cerca de uma hora de questionamentos, os valores informados foram aumentando progressivamente. “Ele começa dizendo que girou 50, depois 30, depois 50 milhões”, relatou. Outros diretores presentes afirmaram nunca ter ouvido falar da empresa. Ao final, segundo Aquino, veio a declaração que tornou a operação insustentável do ponto de vista técnico. “Ele respondeu: não foram 200, não foram 300, nós geramos 6,2 bilhões. Isso é impossível, tecnicamente, uma empresa gerar isso”, disse.
A partir daí, o Banco Central passou a verificar as bases oficiais de dados. Ailton Aquino afirmou que não foram identificados registros de transferências bancárias, como TEDs, Pix, operações via STR, CIP ou câmbio, envolvendo a Tirreno. “Todos os TEDs do Brasil passam pelo Banco Central. Todos os Pix também. E não foi encontrado nenhum fluxo financeiro da empresa”, afirmou.
Segundo o diretor, a checagem no Cadastro de Pessoas Físicas e Jurídicas do Sistema Financeiro (CCS) mostrou que o único relacionamento financeiro da Tirreno era com o Banco Master, iniciado em 23 de maio de 2025. Também não foram encontrados registros de crédito no Sistema de Informações de Crédito (SCR).
“O único relacionamento da Tirreno no sistema financeiro é com o Master. Não foram encontrados fluxos financeiros da empresa nas bases do Banco Central”, concluiu Aquino, ao sustentar que os dados confirmaram a inexistência das operações que lastreavam as carteiras de crédito investigadas.

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