Esplanada

Superávit será desafio para Durigan à frente do Ministério da Fazenda

Atual secretário-executivo da pasta deve assumir o comando da Fazenda após a saída de Haddad, que vai atuar na campanha à reeleição de Lula

Ex-diretor de Políticas Públicas do WhatsApp no Brasil, Dario Durigan levou a experiência no setor privado para o Ministério da Fazenda, onde chegou para substituir Gabriel Galípolo na Secretaria-Executiva. Apesar da passagem pela empresa de telecomunicações, as raízes do provável novo ministro da Fazenda vêm do serviço público. Servidor de carreira da Advocacia-Geral da União (AGU), ele também assumiu o cargo de assessor da subchefia para assuntos jurídicos da Casa Civil durante o governo de Dilma Rousseff.

De perfil mais conciliador e avesso a crises institucionais, Durigan é o nome que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer na Fazenda para evitar desgastes com a economia no último ano de mandato. Com tempo reduzido, o novo ministro terá o papel de apenas cumprir o que já foi endereçado pela gestão Haddad para este ano. Mesmo assim, ele assume a pasta com o desafio de atingir o primeiro superavit fiscal do governo Lula 3, em um momento de pressão sobre a dívida pública e atividade econômica mais fraca em razão dos juros elevados.

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Para o especialista em macroeconomia Samuel Dourado, 2026 deve ser um ano de maior "relaxamento fiscal" no governo, o que deve dificultar ainda mais a tentativa da equipe econômica de atingir um resultado positivo neste ano. "Isso tende a estimular a economia, o que pode gerar pressão inflacionária. Em outras palavras, o fiscal não tem ajudado na ancoragem da inflação. A inflação tem caído nos últimos tempos mais pelo canal de câmbio do que pelos canais de confiança. Ou seja, a inflação deste ano dependerá mais do cenário externo do que do interno", avalia Dourado.

Com a saída de Durigan da secretaria, quem deve assumir o cargo é o atual secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, que também tem boa interlocução com Lula e Haddad e mantém um perfil técnico. Na semana passada, também foi anunciado que o secretário de Política Econômica, Guilherme Mello, deve deixar a função para ser diretor no Banco Central. Completando o quadro principal, o secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, deve seguir no cargo, enquanto o advogado Regis Dudena assume a parte de reformas econômicas dentro da pasta. 

Apesar da dança das cadeiras, o economista-chefe da Ecoagro, Antônio da Luz, não acredita em grandes mudanças no cenário econômico. "É a mesma equipe econômica que fez saltar a dívida-PIB do Brasil, que aprovou uma PEC da Transição de mais de R$ 200 bilhões e, mesmo assim, fez deficit primário ao longo de 2023, 2024 e 2025, que acabou com a lei do teto de gastos e criou o arcabouço fiscal, que é uma regra frouxa que nem mesmo eles cumpriram, que jogou o país numa descredibilidade fiscal muito grande e elevou o risco país", aponta o economista.

A analista política da BMJ Consultores Associados Raquel Alves também acredita em um ano bem desafiador para a equipe econômica. "Haverá um aumento da pressão por gasto, o que torna praticamente nula a chance de aprovar algum ajuste real, e tem o cenário internacional, que segue complicado. Então, é uma conjuntura que nos deixa descrentes quanto a ter um superavit. O governo está otimista, mas a conjuntura está meio contra esse otimismo", destaca Alves, que completa: "Não acho que a tarefa do Durigan, de entregar um superávit com todo esse contexto seja simples e fácil. Acho que é improvável".

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