No 6º Brasília Summit, realizado nesta quarta-feira (15/4) no Brasília Palace Hotel, a especialista em compliance, gestão de riscos e controles internos Marisangela Mattia defendeu que a eficiência na gestão pública está diretamente ligada à qualidade das decisões tomadas antes mesmo da execução dos gastos. O tema foi abordado durante painel sobre equilíbrio fiscal e resultados para a sociedade.
Em sua fala, Mattia destacou que, diante do aumento das demandas sociais, das restrições fiscais e de um cenário global de incertezas, a atuação do Estado se torna mais complexa e exige maior rigor na tomada de decisões. “A gestão pública só pode ser considerada eficiente quando consegue produzir resultados concretos para a sociedade”, afirmou.
A especialista ressaltou ainda o papel dos órgãos de controle, como tribunais de contas e controladorias, mas ponderou que a qualidade do gasto público começa antes da fiscalização. “Antes de existir o gasto público, existe uma decisão pública. E é essa decisão que precisa ser qualificada”, disse, ao comparar a lógica da administração pública com práticas do setor privado.
Segundo Mattia, a boa governança é elemento central nesse processo. Ela citou a importância de planejamento estratégico, definição clara de responsabilidades e coordenação entre diferentes órgãos, especialmente em políticas públicas complexas. A especialista também destacou a contribuição do ministro Augusto Nardes para a consolidação da agenda de governança no país.
Outro ponto central da apresentação foi a gestão de riscos, apontada como ferramenta essencial para antecipar cenários e evitar falhas na execução de políticas públicas. “Hoje, muitas lideranças ainda estão focadas em apagar incêndios, olhando para problemas já concretizados, quando deveriam estar se preparando para riscos futuros”, afirmou. Para ela, risco é a possibilidade de eventos que podem impactar objetivos, e sua análise permite reduzir danos ou evitar prejuízos.
Ao concluir, Mattia reforçou que o desafio atual não é apenas executar melhor o orçamento, mas decidir melhor antes de gastar. “O equilíbrio fiscal não depende só de arrecadar mais ou cortar despesas, mas de evitar decisões que geram custos permanentes sem retorno à sociedade. Quanto mais estruturado for o processo decisório, maior a chance de o gasto público gerar resultados concretos”, concluiu.
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