A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (23/4), uma operação para investigar a aplicação de R$ 13 milhões da previdência dos servidores de Santo Antônio de Posse (SP) em investimentos ligados ao Banco Master. A apuração tem como foco a suspeita de gestão temerária dos recursos públicos.
Ao todo, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão nas cidades de Santo Antônio de Posse e Mogi Mirim. Entre os alvos estão o ex-diretor-presidente do instituto, a ex-supervisora de gestão e três integrantes do comitê de investimentos, além do próprio Instituto de Previdência Municipal (Iprem).
Por determinação da Justiça Federal, os investigados também foram afastados de funções públicas e tiveram bens bloqueados. Até o momento, as defesas não foram localizadas para comentar o caso.
A investigação teve início após um alerta da Subsecretaria de Regimes Próprios de Previdência Social, que identificou indícios de irregularidades na aplicação dos recursos do fundo municipal. A suspeita central é de má gestão dos investimentos feitos com o patrimônio previdenciário dos servidores.
O caso ganhou relevância após a liquidação extrajudicial do Banco Master, determinada pelo Banco Central. À época, o Iprem possuía R$ 8,2 milhões aplicados em Letras Financeiras da instituição, conforme relatório de investimentos de setembro de 2025 disponível no Portal da Transparência.
Em manifestação anterior, o instituto afirmou que as aplicações foram realizadas “integralmente dentro das normas legais” e em conformidade com a política aprovada pelo conselho deliberativo. Também destacou que não era possível prever impactos financeiros imediatos, uma vez que a avaliação dos ativos dependia da atuação da massa liquidante, sob supervisão do Banco Central.
A Procuradoria do Ministério Público de Contas de São Paulo (MPC-SP) já havia alertado, em abril do ano passado, para o risco de perda envolvendo investimentos de institutos de previdência municipais no Banco Master. Segundo o órgão, pelo menos cinco entidades no estado aplicaram centenas de milhões de reais na instituição.
Em nota divulgada nesta quinta-feira, a Prefeitura de Santo Antônio de Posse informou que o investimento investigado foi realizado em 2024, durante a gestão anterior, e que entrou em processo de liquidação ainda no ano passado, sem possibilidade de resgate antecipado. O montante, de R$ 7 milhões, foi aplicado em um título com prazo de dez anos.
A administração municipal ressaltou que a liquidação não implica, automaticamente, perda dos valores, e que o processo segue etapas e prazos definidos no mercado financeiro. A prefeitura também afirmou que acompanha o caso e que toda a documentação solicitada já foi encaminhada aos órgãos competentes.
Segundo o Executivo local, desde 2025 houve revisão nos critérios de aplicação dos recursos, que passaram a ser direcionados exclusivamente a “instituições de reconhecida solidez”. A gestão atual afirma ainda que os resultados recentes superaram a meta de rentabilidade baseada no IPCA. O Iprem reiterou que mantém rotinas de controle, governança e monitoramento de riscos e que segue à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.
