Caso Master

Master inflou carteiras em R$ 2,4 bi antes de vender ao BRB, aponta PF

Documentos apreendidos apontam ágio de 32% em ativos repassados ao banco público de Brasília entre julho de 2024 e janeiro de 2025, antes da suposta fabricação de créditos falsos

O balanço cobre todas as transações com o BRB de julho de 2024 ao final de janeiro de 2025 e lista seis categorias de ativos vendidos -  (crédito:  Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
O balanço cobre todas as transações com o BRB de julho de 2024 ao final de janeiro de 2025 e lista seis categorias de ativos vendidos - (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

Enquanto a proposta formal de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB) ainda não havia sido anunciada, o banco controlado por Daniel Vorcaro já operava um esquema sistemático de superfaturamento de ativos repassados ao banco público do Distrito Federal. Segundo documentos apreendidos pela Polícia Federal (PF), as carteiras de crédito eram infladas em até 93% acima do valor contábil.

As evidências integram a Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF para apurar a criação de carteiras fictícias de crédito consignado pelo Master entre janeiro e maio de 2025. Mensagens extraídas de celulares de diretores, porém, indicam que a relação financeira com o BRB é anterior à investigação e já apresentava indícios de irregularidades.

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De acordo com tabelas internas recuperadas pela PF, obtidas pelo jornal O Estado de S. Paulo, o BRB injetou ao menos R$ 8,4 bilhões no Master nos seis meses anteriores ao início das fraudes, entre julho e dezembro de 2024. O valor contábil dos ativos transferidos era de R$ 7,5 bilhões, mas o banco público de Brasília pagou R$ 9,9 bilhões — um sobrepreço de 32%, equivalente a R$ 2,4 bilhões embutidos pelo Master na operação.

Crise da Liquidez

As conversas extraídas de celulares apreendidos indicam que Vorcaro recorreu a aportes do BRB ao menos desde agosto de 2024 para cobrir uma crise aguda de caixa. Em um dos diálogos, o banqueiro alertou que, sem os recursos do banco estatal, teria de recorrer ao "depósito compulsório" — reserva obrigatória mantida junto ao Banco Central para garantir a liquidez e a segurança do sistema financeiro.

No dia seguinte, Vorcaro voltou a pressionar Lima por uma definição sobre a cessão de uma Cédula de Crédito Bancário (CCB): "Irmão, preciso saber se eles vão fazer ou não. Já tem 15 dias esse negócio do ccb. Se for agarrar e não sair agora preciso saber." A resposta de Lima indicou que o BRB confirmaria a operação até quinta-feira.

O anúncio público da oferta de compra do Master pelo BRB só seria feito em março de 2025 — meses depois de o banco já estar sendo bancado pelo erário do Distrito Federal. Um dos arquivos-chave da investigação foi enviado por WhatsApp pelo superintendente executivo de tesouraria do banco, Alberto Félix, e nominado pelo próprio remetente como "operacoes_BRB_29jan". 

O balanço cobre todas as transações com o BRB de julho de 2024 ao final de janeiro de 2025 e lista seis categorias de ativos vendidos: carteiras de crédito consignado, dois tipos de CCBs, certificados de depósito interbancário (CDI), certificados de recebíveis imobiliários (CRI) e créditos do Will Bank, fintech à época vinculada ao Master.

Em outra mensagem registrada no celular, Félix escreveu em 17 de julho: "Estou em call com o brb. (...) Estamos definindo o contrato de cessão aqui, pra poder formalizar." A defesa de Félix sustenta que ele não tinha poder decisório e que seu papel era apenas reportar transações negociadas por outros.

(Com informações de Agência Estado)

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postado em 20/04/2026 15:29
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