Um em cada quatro formadores de opinião do setor agrícola não consegue definir o que é Agricultura Tropical. O dado faz parte de uma pesquisa inédita da Nexus, apresentada em Brasília nesta quarta-feira (27/5) durante o lançamento da campanha O que é que só o Brasil tem?, promovida pela CropLife Brasil.
O estudo, que ouviu 230 pessoas, incluindo parlamentares, servidores públicos, jornalistas e empresários do agronegócio, mostra um contraste. Enquanto 85% dos entrevistados reconhecem o Brasil como uma potência agrícola mundial, 24% não sabem associar o termo ao modelo que viabiliza a produção em larga escala no país.
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As respostas mais frequentes ao conceito foram: clima brasileiro (7%), frutas (7%) e sustentabilidade (5%). Termos como tecnologia e segurança alimentar foram citados por apenas 1% dos participantes, o que revela um descompasso entre a relevância do sistema produtivo e o nível de compreensão sobre ele.
Mitos e a necessidade de inovação
A pesquisa também apontou que 32% dos entrevistados acreditam que o Brasil é o país que mais utiliza defensivos agrícolas no mundo. No entanto, 86% confiam que o uso desses produtos é rigorosamente regulado pelos órgãos competentes.
Ana Repezza, presidente da CropLife Brasil, afirma que o conceito de Agricultura Tropical ainda não está cristalizado entre os decisores, o que impacta a forma como o setor é visto e regulado. Ela destaca que o modelo brasileiro é resultado de tecnologias desenvolvidas para as necessidades locais, e não apenas de condições naturais.
Para o deputado federal Pedro Lupion, da Frente Parlamentar da Agropecuária, produzir no clima tropical exige inovação constante para viabilizar as três safras anuais. Ele defende que a modernização da legislação é vital para aumentar a produtividade e reduzir os custos no campo.
Campanha para qualificar o debate
Para ampliar a compreensão sobre o tema, a CropLife Brasil lançou a campanha "O que é que só o Brasil tem?". A iniciativa terá um hub de conteúdo com dados, estudos e análises para desmistificar percepções equivocadas sobre o agronegócio brasileiro.
André Savino, presidente da Syngenta Proteção de Cultivos no Brasil, ressalta que os desafios climáticos e biológicos exigem o uso de ciência e tecnologia. Ele lembra que o desenvolvimento de uma nova tecnologia leva em média 11 anos e custa 307 milhões de dólares, reforçando a importância da segurança jurídica para novos investimentos.
O sucesso do modelo se reflete em números. Entre 1990 e 2024, a produção brasileira de grãos cresceu 494,8%, enquanto a área cultivada aumentou 115,8%. Segundo a Conab e a FGV Agro, esse avanço tecnológico permitiu poupar 144 milhões de hectares.
Em 2025, o agronegócio respondeu por 25,13% do PIB nacional, que chegou a R$ 3,20 trilhões. O ramo agrícola concentrou aproximadamente R$ 2,06 trilhões desse total, um crescimento de 12,20% em relação ao ano anterior, segundo dados do Cepea e da CNA.
Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.
