
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta segunda-feira (1º/6) que a classificação das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais pelos Estados Unidos pode gerar impactos sobre o sistema financeiro brasileiro, incluindo o Pix.
Segundo ele, a decisão pode levantar indícios de que a ferramenta de pagamentos instantâneos do Banco Central (BC) é utilizada pelo crime organizado. "O Pix é o maior símbolo de soberania financeira do Brasil. Não podemos ficar presos ao risco de uma intervenção ou subserviência que nos tira do caminho da inovação e da geração de uma infraestrutura segura de pagamento às nossas empresas e famílias", disse em entrevista à rádio CBN.
O ministro citou como exemplo o caso do México, onde o Departamento de Justiça dos Estados Unidos moveu ações contra instituições financeiras e determinou o fechamento de três bancos após identificar supostas ligações com organizações classificadas como terroristas.
“Se houver uma alegação dizendo que determinado banco brasileiro tem contas de membros do PCC, a autoridade norte-americana pode sancionar esse banco pelo Tesouro norte-americano e impedir ele de operar com o Pix”, explicou Durigan.
Diante da preocupação, o governo brasileiro terá reuniões com autoridades norte-americanas para discutir os possíveis efeitos da medida sobre bancos e meios de pagamento do país.
"Nós não vamos deixar de fazer esforços e devo entrar nesta semana em contato com as autoridades dos Estados Unidos para esclarecer o que está acontecendo, porque o presidente Lula foi o primeiro a defender o combate a esse tipo de facção", reforçou.
Motivação política
Durigan avaliou que a investigação aberta pelos Estados Unidos contra o Brasil com base na Seção 301, que inclui questionamentos ao Pix, tem motivação predominantemente política. Segundo o ministro, as alegações apresentadas por Washington carecem de fundamentos técnicos consistentes e tratam de questões que, de acordo com o governo brasileiro, já foram esclarecidas em diálogos anteriores entre os dois países.
“Ela tem um caráter político, muito mais do que técnico. Temos prestado esclarecimentos e participado de conferências e audiências com os técnicos norte-americanos, que reconhecem que essas questões já foram esclarecidas em outras ocasiões”, declarou Durigan.
“A Seção 301 aponta supostas questões comerciais envolvendo a Rua 25 de Março, o Pix, o desmatamento e condições precárias de trabalho no Brasil. São argumentos forçados. Em paralelo a isso, a gente vê a movimentação da família Bolsonaro com relação à designação de organizações que causam terror no Brasil. É uma forçação de barra sem fim”, acrescentou.

Economia
Economia
Economia
Economia
Economia
Economia