
O uso eficiente da inteligência artificial (IA) depende menos da tecnologia em si e mais da capacidade de organizações públicas e privadas de estruturar dados, governança e processos adequados. A avaliação foi feita nesta quarta-feira (17/6) pelo professor, pesquisador, conferencista e CEO do Grupo X-VIA, Magno Maciel, durante o 7º Brasília Summit, realizado pelo Correio Braziliense e pelo Lide.
Ao abrir sua participação, Maciel destacou a relevância do debate sobre inteligência artificial, e parabenizou os organizadores do evento pela iniciativa de promover discussões sobre um dos temas mais importantes da atualidade.
O especialista também relembrou sua trajetória acadêmica e profissional ligada à área, iniciada ainda no começo dos anos 2000, quando passou a estudar redes neurais. “Jamais imaginaria que nós chegaríamos hoje ao patamar em que estamos, com o nível de proficiência e aplicação prática da inteligência artificial”, afirmou.
Segundo ele, a evolução da tecnologia criou um cenário de oportunidades inéditas para empresas e governos, mas também impôs desafios relacionados à incorporação dessas ferramentas na rotina das organizações.
Nesse contexto, Maciel elogiou iniciativas de digitalização e uso da inteligência artificial na administração pública, destacando que experiências bem-sucedidas podem servir de referência para outras unidades da Federação.
Durante sua exposição, o executivo chamou atenção para um problema que tem acompanhado a adoção da inteligência artificial nas empresas. Apesar do avanço tecnológico, muitos projetos ainda apresentam resultados neutros, ou até negativos.
Para ele, a principal razão não está em limitações da tecnologia, mas na ausência de métodos claros de implementação. “A falta de gestão, governança, frameworks e processos adequados compromete os resultados”, explicou.
Conhecimento incorporado
Maciel defendeu que o primeiro pilar para uma aplicação bem-sucedida da inteligência artificial é a chamada inteligência de dados. Na sua avaliação, existe uma diferença fundamental entre inteligência e conhecimento.
“A inteligência artificial já é capaz de escrever, conversar e produzir conteúdo com elevado nível de qualidade. Mas o verdadeiro diferencial está no conhecimento incorporado aos sistemas”, observou.
O especialista argumentou que organizações não precisam apenas de ferramentas genéricas, mas de soluções treinadas com informações específicas de seus próprios negócios, operações e processos. Essa personalização, segundo ele, aumenta a confiabilidade das respostas e fortalece o uso da IA em atividades estratégicas, como planejamento, orçamento e tomada de decisões.
Outro ponto destacado foi a evolução do conceito de engenharia de prompt. Para Maciel, o mercado caminha para uma nova etapa, baseada na chamada “engenharia de contexto”. “Mais importante do que a forma de perguntar é a qualidade das informações que estão disponíveis para a inteligência artificial utilizar em suas respostas”, disse.
Na avaliação do CEO do Grupo X-VIA, a interoperabilidade entre sistemas também será determinante para ampliar o potencial da tecnologia. Ele comparou os dados ao petróleo, mas ressaltou que o valor só é gerado quando essas informações podem ser coletadas, organizadas e transformadas em conhecimento útil.
“A interoperabilidade faz a extração dos dados. A inteligência artificial atua como refinadora, gerando valor a partir deles”, afirmou.

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